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ECONOMIA
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011, 08h:54

VAZIO SANITÁRIO

Quarta edição foi a maior já realizada em Mato Grosso

Com maior efetivo do Indea, fiscalizações e autuações aumentaram nos últimos 90 dias

MARIANNA PERES
Da Editoria
A quarta edição do Vazio Sanitário, em Mato Grosso, encerrada no último dia 15, foi a maior já realizada no Estado. Com um incremento de cerca de 100% no efetivo de servidores do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea/MT), a fiscalização atingiu mais propriedades e consequentemente, ampliou, em relação ao ano passado, o número de notificações e de autuações, este último, incrementado em 400%. Nos últimos três meses, foram fiscalizadas 2.566 propriedades, das quais 301 foram notificadas por conterem plantas vivas de soja, desenvolvidas no solo de maneira involuntária ao produtor, a chamada soja guaxa. Deste volume de notificações, apenas 30 se transformaram em autuações com sanção pecuniária de 30 Unidades Padrão Fiscal (UPF), atualmente em R$ 36,03 no Estado, mais duas UPFs por cada hectare com problema. Aplicando apenas as 30 UPF’s, a multa fica em R$ 1,08 mil, fora a penalidade por cada hectare. No ano passado, foram visitadas 2.221 propriedades, das quais 176 foram notificadas e apenas seis autuadas. O coordenador da Defesa Sanitária Vegetal do Indea/MT, Carlos Ferraz, em coletiva na tarde de ontem, explicou que o aumento no número de notificações e multas, na comparação entre o Vazio Sanitário de 2011 ante 2010, reflete o maior efetivo do Indea em campo e não a uma possível despreocupação do produtor. “É importante ressaltar que não houve nenhum registro de plantio deliberado de soja, ou seja, o que encontramos foram plantas vivas que se desenvolveram em locais pontuais. Não encontramos nenhuma lavoura. Os produtores estão cada vez mais conscientes”. Durante o período de Vazio, que dura 90 dias – de 15 de junho a 15 de setembro -, fica proibida a existência de plantas vivas de soja, como forma de eliminar a chamada “ponte verde”, que mantém no ambiente os fungos da ferrugem asiática, doença que reduz a produtividade das lavouras e aumenta desproporcionalmente o custo de produção. Houve registro de alta de até 40% no Estado. Como observou o secretário de Desenvolvimento Rural a Agricultura Familiar do Estado, José Domingos Fraga, a ferrugem é uma doença que atinge não apenas as lavouras “como também as economias dos municípios e do Estado”. O gerente técnico da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Nery Ribas, o balanço é positivo, pois o aumento da fiscalizou mostrou que o produtor está fazendo a lição de casa para reduzir os focos da doença. “O vazio aliado a outras ferramentas como o uso da variedade inox de soja – resistentes à doença, postas no mercado pela Fundação MT -, o manejo de janelas de plantio concentrado, entre outras, foram determinantes para este resultado, já isso tudo reduz custos, aumenta produção e consequentemente também gera uma receita maior de impostos”. DOENÇA – A ferrugem chegou ao Brasil na safra 02/03 e já no ano seguinte foi registrada no Estado. Na safra 04/05 sem alastrou e impôs prejuízos à atividade. Conforme um estudo do especialista, José Tadashi, desde sua chegada ao País, a ferrugem causou perdas de quase US$ 20 bilhões entre ela avarias em grãos, impacto na produtividade, alto custo às lavouras e impostos que não foram gerados por uma produção menor. Para Mato Grosso, maior produtor de soja do Brasil, as estimativas são de que o prejuízo tenha sido de cerca de US$ 5 bilhões, cifras que equivalem a quase todo o dinheiro aplicado pelos produtores para se fazer uma safra da oleaginosa. A incidência da ferrugem, que ataca as plantas e prejudica o desenvolvimento das plantas, é controlada por meio de fungicidas, o que em situação normal demanda cerca de 2,8 aplicações do químico para cada hectare, mas no Estado, como lembra Ribas, houve temporadas que exigiram até sete aplicações e que renderam ao produtor 40 sacas, dez a menos do que as 50 sacas que são a média de produtividade em Mato Grosso. Pelos números atuais de custo de produção aferidos pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em Sorriso (460 quilômetros ao norte de Cuiabá), o custo com o químico e mais a aplicação, nesta safra, será de R$ 78 por hectare e para cada aplicação necessária. O valor multiplicado pela média de 2,8, ultrapassa R$ 218.

Edição EDIÇÃO 16967




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