ECONOMIA
Terça-feira, 25 de Março de 2008, 20h:28
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CRISE NO CAMPO
Proposta anunciada ontem tem teto de R$ 56 bilhões
Objetivo é reestruturar endividamento contraído ainda nas décadas de 80 e 90
Em uma reunião repleta de representantes da bancada ruralista, o Ministério da Fazenda apresentou ontem uma proposta de renegociação de dívidas agrícolas melhor do que estava sendo sinalizado pela equipe econômica. O governo federal propôs renegociar um volume de R$ 56,3 bilhões em dívidas do setor, o que representa 64,3% do montante total de R$ 87, 5 bilhões devido por pequenos, médios e grandes produtores. A expectativa era que a Fazenda fizesse uma proposta inicial na casa de R$ 40 bilhões. Mesmo assim, os agricultores querem mais e pedem a renegociação de pelo menos 80% do estoque devido. Em nota conjunta da Fazenda e dos ministérios da Agricultura, do Desenvolvimento Agrário e Integração Nacional, o governo informa que o objetivo das medidas de reestruturação do endividamento rural é facilitar a quitação das operações efetuadas na década de 80 e 90. Ainda segundo a nota, as medidas, que variam por programa e tipo de cada grupo de dívidas, destacam-se cinco pilares. O primeiro é a redução dos encargos de inadimplemento incidentes sobre o saldo devedor vencido, ou seja, a redução dos juros para aqueles produtores que não quitaram suas dívidas. O segundo é a diluição do saldo devedor vencido, referente aos valores que ainda não foram pagas, nas parcelas vincendas. A terceira é a concessão de prazo adicional para pagamento de algumas dívidas. O quarto é a redução das taxas de juros das operações com encargos mais elevados. E o quinto é a concessão de desconto para liquidação das operações antigas com risco da União. De acordo com o governo federal, as propostas que visam facilitar a adimplência de contratos em situação de inadimplência, com redução dos encargos de inadimplemento, podem beneficiar até 837 mil contratos, envolvendo até R$ 9,15 bilhões. Estão incluídas neste grupo, as dívidas de Securitização, Pesa, Funcafé-Dação, Recoop, Programa do Cacau, Fundos Constitucionais, Pronaf, Crédito Fundiário, Banco da Terra e Procera. As propostas que concedem descontos para a liquidação das operações beneficiarão até 421 mil contratos, o que envolve até R$ 20,8 bilhões. Essa proposta beneficia a Securitização, o Funcafé-Dação, o Programa do Cacau, Recoop, Pronaf Custeio contratado até 31 de dezembro de 2002, Procera e Dívida Ativa da União (DAU). As propostas que concedem prazo adicional para pagamento envolvem até 1,386 milhão de contratos e o valor de até R$ 30,2 bilhões. Os mesmos grupos citados no item anterior serão beneficiados por esta medida. A proposta do governo que prevê redução das taxas de juro dos contratos atuais envolve até 198 mil contratos com valor de R$ 13,6 bilhões. Estão incluídos nestes itens o FAT-Integrar, Moderfrota, Finame Agrícola Especial, Crédito Fundiário, Banco da Terra e custeios prorrogados, contratados com recurso da poupança rural com taxa de juros livres.