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ECONOMIA
Terça-feira, 28 de Abril de 2009, 19h:52

GRIPE SUÍNA - II

Produtores de MT acreditam que baixa oferta vai segurar preço

Efeito da doença é esperado, mas a produção inferior ao ciclo passado mantém expectativa

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O surto de gripe suína detectado no México e com manifestações em pessoas de vários países, como Estados Unidos, Canadá e Espanha preocupa, mas não causa alarde nos produtores de milho de Mato Grosso, que este ano deverão colher um pouco mais do que o previsto. “A produção será maior do que a esperada, mas a redução em relação ao ano passado vai se confirmar. Por isso não vejo a possibilidade de uma queda nos preços internacionais, até porque o mercado está ascendente, o mundo está consumindo mais”, disse ontem o presidente do Sindicato Rural de Sinop (503 quilômetros ao norte do Estado), Antônio Galvan. Os preços ao produtor mato-grossense oscilam entre R$ 11,50 e R$ 13. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a produção terá queda de 20% este ano, recuando de 7,70 milhões de toneladas na safra 2007/08 para 6,10 milhões de toneladas. Já a área plantará cairá apenas 8%, passando de 1,67 milhão de hectares para 1,63 milhão de hectares. A produção foi estimada com base em uma produtividade média de 4,01 mil quilos/hectare. O superintendente do Imea, Seneri Paludo, disse que ainda é cedo para fazer uma previsão sobre o mercado. “Ainda é prematuro porque a crise [da gripe suína] está apenas começando e ainda não sabemos que proporção irá tomar”. Admitiu, contudo, que a situação já preocupa por conta de uma possível redução de demanda por carnes e de produtos para ração. “Mas, diretamente este problema não afeta o consumo porque não temos um problema de saúde animal”. Na avaliação de Seneri Paludo, o que pode existir é o efeito psicológico no consumidor, “um fator negativo para a cadeia”. ACRISMAT – Os diretores da Associação dos Criadores de Suínos do Estado (Acrismat) encontravam-se ontem em viagem e não foram localizados pelo Diário. A assessoria de imprensa da entidade informou que os diretores não se manifestaram até agora porque não têm maiores informações sobre o episódio da gripe suína. “Podemos adiantar apenas que até agora nenhum produtor foi afetado e nenhuma venda deixou de ser feita por causa do surto de gripe suína. A cadeia ainda não sofreu qualquer reflexo da situação no momento”, informou a assessoria. POSITIVO - O presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, evitou falar sobre o impacto da gripe suína no mercado brasileiro desse tipo de carne, mas reconheceu ser possível que as exportações brasileiras sejam beneficiadas. "Pode ser positivo para o Brasil, desde que a doença não ocorra aqui", afirmou, lembrando que Rússia e China já suspenderam as importações de carne suína do México e Estados Unidos, países que apresentaram os primeiros casos da doença. ABAG – Para o presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag), Carlo Lovatelli, o surto de gripe suína originado no México "é preocupante" e deve impactar em commodities agrícolas, principalmente o milho e a soja. Lovatelli, no entanto, alertou que o impacto negativo tem também um caráter especulativo. "A gripe atinge ambos (milho e soja), principalmente na área de alimentação humana. Endemias são perigosas e a fofoca anda na frente, o que mexe com o mercado", disse. Lovatelli salientou que a possível queda de preços e de consumo de milho, principal fonte de alimentação suína, terá impactos menores nos Estados Unidos, país que usa grande parte do grão produzido para a produção de etanol. Lembrou ainda que a redução na oferta mundial de suínos pode beneficiar os produtores brasileiros, já que no país ainda não há casos registrados em virtude da doença.

Edição EDIÇÃO 16962




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