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ECONOMIA
Sábado, 16 de Agosto de 2008, 14h:48

AQUECIMENTO - II

Previsões não trazem pânico aos produtores

“Soja e algodão são culturas que gostam do sol quente e chuva e aturam o calor”

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
As perspectivas de aquecimento global e seus efeitos sobre a agricultura preocupam os produtores de Mato Grosso, mas não chegam a causar alardes. Segundo eles, providências já estão sendo tomadas para evitar o pior e a expectativa é de que o quadro seja revertido nos próximos anos. Em Mato Grosso, a preocupação maior recai sobre os produtores de soja e algodão, as principais culturas do agronegócio mato-grossense e que respondem por mais de 50% da balança comercial do Estado e também da safra nacional. Segundo o ex-presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Sérgio De Marco, a situação preocupa “porém não chega a ser tão grave assim”. Para ele, se todos agirem dentro da lei e fizerem apenas o desmatamento permitido, o impacto será bem menor. “Esse problema do aquecimento existe desde 1940. É uma balela dizer que no futuro a agricultura será inviabilizada por causa do calor, mas temos que fazer a nossa parte. Os produtores precisam atuar dentro de uma conscientização e procurar preservar o meio ambiente”. De Marco acredita que a situação é “perfeitamente reversível”, desde que cada um faça a sua parte, como preservar as nascentes dos rios e evitar os desmates ilegais. “Se agirmos dessa forma não teremos problemas no futuro como estão alardeando”. Ele diz que, mesmo com a confirmação da elevação das temperaturas, a produtividade de algodão e soja na região Centro-Oeste não deverá ser muito afetada. “A soja e o algodão são culturas que gostam de luminosidade, sol quente, chuva e aturam bem o calor”, frisa o produtor. APROSOJA - O presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja), Glauber Silveira, lembra que “se houver um controle dos desmatamentos e poluição, é possível reverter esta previsão sombria para o planeta”. Ele disse que os produtores mato-grossenses “estão apreensivos”, mas ao mesmo tempo atentos e conscientes em relação à questão. Informou que a Aprosoja e a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato) estão trabalhando juntas no sentido de orientar os produtores sobre as conseqüências do aquecimento para a agricultura regional. Silveira entende que o esforço deve ser de todos. “Não adianta, por exemplo, reduzir os desmatamentos e não fizermos algo para diminuir a poluição e o nível de emissão de gases na atmosfera. Os maiores causadores da poluição não são os produtores, mas as indústrias, os carros e os lixos nas cidades”.(MM)

Edição EDIÇÃO 16962




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