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ECONOMIA
Sábado, 04 de Outubro de 2014, 11h:41

SOJA 2014/15

Plantio supera ritmo

Mesmo com mercado em franco declínio, produtor aproveita as chuvas e semeia

MARIANNA PERES
Da Editoria
Mesmo sem chuvas constantes e com as cotações ainda em trajetória de queda, o sojicultor mato-grossense segue acelerando as plantadeiras no interior do Estado. Conforme as precipitações surgem, a área vai sendo coberta com soja e pouco a pouco, o volume cultivado já atinge 4,53% da superfície estimada, ritmo bem acima do registrado em igual momento do ano passado, quando 1,41% dos hectares estava plantado. Com um olho na terra e outro no mercado, o produtor viu, por mais uma semana, as cotações futuras da soja despencarem, pressionadas por um cenário de ampla oferta mundial do produto, embalado pela colheita nos Estados Unidos e estimativas de safra cheia na América do Sul. A perda de valor é quase 30% no ano. Com os trabalhos da semana passada, o Estado concluiu a terceira semana de plantio da nova safra, iniciado depois do dia 15 de setembro. Os números fazem parte de mais um acompanhamento – o terceiro – realizado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e divulgado na última sexta-feira. O Instituto projeta mais uma safra recorde ao Estado se a estimativa de 8,80 milhões de hectares e a produção de mais de 27 milhões de toneladas forem confirmados. Conforme o acompanhamento, a região mais avançada em Mato Grosso é a médio norte, com 6,27% de uma área prevista em 3,03 milhões de hectares. Até a semana passada, o maior ritmo empregado era visto na região oeste, hoje a segunda mais adiantada, com 6,07% da área de 1,08 milhão de hectares semeados. A região nordeste ainda não iniciou seus trabalhos. A previsão é de que a semeadura se estenda até meados de novembro e completar cerca de dez semanas de trabalhos. MERCADO – Como destaca a Safras & Mercados, as cotações futuras da soja despencaram em setembro no mercado internacional. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos bateram no menor nível desde julho de 2010, pressionados por um cenário de ampla oferta mundial do produto. Apesar do forte recuo nas cotações internacionais, o mercado brasileiro, na média, apresentou poucas alterações. A forte alta do dólar comercial e os prêmios elevados, diante de uma postura retraída dos produtores, que pouco vendem antecipadamente, estão compensando parte do peso exercido pela baixa em Chicago. Os contratos com vencimento em novembro, negociados em Chicago, acumularam desvalorização de 10,8%, recuando de US$ 10,24 para US$ 9,13 o bushel entre 28 de agosto e 30 de setembro. Foi o quinto mês consecutivo de perdas. No ano, a queda em Chicago já se aproxima de 30%. A pressão é exercida pelo cenário fundamental. O clima beneficia a colheita da soja nos Estados Unidos e o rendimento inicial supera até mesmo as mais otimistas projeções. O Departamento de Agricultura daquele país (USDA, sigla em inglês) aposta em produção de 106,5 milhões de toneladas, a maior da história. A estimativa do USDA será revisada na sexta, 10, e o indicativo é de que a safra poderá ser ainda maior. A consultoria FCStone está trabalhando com número de 110,7 milhões. Além do otimismo com a safra norte-americana, os indicativos são também positivos para o Brasil e para a Argentina, que estão em fase inicial de plantio. Este comportamento externo prejudicou a comercialização no Brasil em setembro. Dados de Safras & Mercado indicam que as vendas antecipadas são de apenas 12% no país. No ano passado e na média para o período, os números superavam a casa de 30%. Esta postura defensiva do produtor é que contrabalançou Chicago e manteve a média de preços internos praticamente inalterada. Segundo dados de Safras, a saca de 60 quilos teve média de R$ 58,25 em outubro, na região de Passo Fundo (RS). Em setembro, o preço médio foi de R$ 58,50. Em Cascavel (PR), a média passou de R$ 58,45 para R$ 58,50. Em Rondonópolis (MT), o preço médio de outubro foi de R$ 56,25, contra R$ 56,90 do mês anterior. Em Dourados, no Mato Grosso do Sul, a saca de 60 quilos subiu, em termos de média, de R$ 56,25 para R$ 56,75. Em Rio Verde, Goiás, a cotação avançou de R$ 55,85 para R$ 56,00. “Importante destacar esta alta nos preços, mesmo com a pressão exercida por Chicago. O comportamento do câmbio no período foi fundamental para a sustentação dos referenciais internos. Em meio ao processo eleitoral, a moeda norte-americana se valorizou muito em setembro. O dólar subiu 9,4% em setembro, fechando o mês na casa de R$ 2,45. No início de outubro, a cotação superou a casa de R$ 2,50”. BRASIL – Conforme novo levantamento da AgRural, o plantio da safra brasileira avançou pouco nos últimos dias, passando de 2% no dia 26 para 3% no dia 3. Há um ano, o plantio também estava em 3% da área. A média de cinco anos, por sua vez, é de 4%.

Edição EDIÇÃO 16967




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