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ECONOMIA
Quarta-feira, 09 de Abril de 2008, 20h:59

FERIADOS

Perdas no comércio varejista chegam a 5% em abril

As perdas do comércio com os dois feriados deste mês – aniversário de Cuiabá, comemorado no último dia 8, e 21 (Tiradentes) – podem chegar a 5% no mês, segundo estimativas do Sindicato Intermunicipal de Tecidos, Confecções e Armarinhos de Cuiabá e Várzea Grande (Sindicom). A onda de feriados continua em maio, com o Dia do Trabalho (1) e, 22, Corpus Christ. Para junho, está confirmado ponto facultativo decretado pelo governo do Estado no dia 13, Dia de Santo Antônio. Somados os feriados e pontos facultativos chegam a sete dias, já que boa parte cai num quinta-feira e teve a comemoração estendida sexta-feira. “Se contabilizarmos todos esses feriados, teremos uma perda acima de 6% só neste primeiro semestre do ano”, afirma o presidente do sindicato, Roberto Peron, lembrando que todos os segmentos serão afetados, porém o impacto será mais forte para o setor de tecidos e confecções. “Haverá uma grande evasão de receita. Os feriados geralmente repercutem no final de semana e as vendas jamais são recuperadas”, argumenta. Levantamento do Sindicom aponta que o funcionalismo público – Estado e Município - responde por mais de 60% de todas as vendas do comércio na Grande Cuiabá. “É extremamente difícil manter o comércio, pois os compromissos e deveres fiscais continuam correndo no feriado como se fosse um dia qualquer de faturamento para o lojista”, afirma Peron. Segundo ele, os empresários devem trabalhar com a programação voltada para todos os feriados do calendário anual. “A nossa recomendação é para que as empresas tenham um controle de gestão operacional prevendo esses feriados”. Mesmo assim, de acordo com ele, as perdas são inevitáveis para os segmentos de comércio e serviço, cuja média diária de venda corresponde a 4% no mês. “Os feriados entre os dias 1 e 15 são mais prejudiciais para o comércio, pois acontece no período de recebimento do pagamento dos salários dos trabalhadores. Quando o feriado cai no sábado ou na segunda-feira, o prejuízo é maior porque a população acaba eliminando esses dois dias do calendário de compras. Os feriados eliminam as compras por impulso”, exclama. Na opinião de Roberto Perón, todo feriado quebra uma rotina de trabalho. “Com isso, cai drasticamente o fluxo de consumidores nas ruas e isso acaba refletindo diretamente nas vendas”, avalia. “Todo consumo é por impulso. Ninguém consome pensando no amanhã, por isso um dia de venda perdido não se recupera no comércio. O que se deixou de consumir em um restaurante ou cinema ontem, por exemplo, você não recupera hoje. A perda é real e não há como recuperar”. Para ele, cada dia de produção perdido jamais se recupera na economia. “Para o comércio os prejuízos são relevantes, pois os feriados neutralizam a semana e as perdas não são apenas para as empresas, mas também para o Estado, que deixa de arrecadar nesses dias em que não há movimentação no comércio”, aponta. DADOS - Pesquisa Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso (Fecomércio/MT) aponta que cada dia de feriado representa 5% de queda em faturamento. Quando o feriado acontece numa sexta-feira ou sábado, esta perda sobe para 7%. Peron diz que a situação fica ainda mais complicada a partir do momento em que as pessoas resolvem viajar por conta dos feriados prolongados. “Quando isso ocorre há uma queda da comercialização e o único setor que ganha é o de turismo e lazer”. Ele diz que com menos dias úteis para venda, o comércio não consegue equilibrar suas contas e o impacto no final do mês acaba sendo grande para o lojista. “O impacto no faturamento das empresas realmente é grande e, por isso, defendemos um calendário de feriados mais enxuto para o país”, diz ele. (MM)

Edição EDIÇÃO 16969




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