ECONOMIA
Quarta-feira, 16 de Maio de 2012, 21h:23
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MONOPÓLIO DE FRIGORÍFICOS
Pecuaristas oficializam mobilização
Mais de 1.500 produtores rurais, entidades representativas do setor produtivo, políticos e autoridades de todo Brasil, participaram do Movimento Nacional Contra o Monopólio dos Frigoríficos, realizado na noite da última quinta-feira, em Campo Grande (MS). Os discursos tinham a mesma tônica de cobrança, para que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pare de promover o monopólio de poucas indústrias frigoríficas, com dinheiro público, provocando sérias consequências em toda cadeia da carne. A concentração dos frigoríficos nas mãos de poucos grupos atinge não só o produtor rural, que fica refém das indústrias, mas também o consumidor que não tem opção de compra, disse o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), José João Bernardes. Ele ressalta que o setor não aceita essa situação e vamos desencadear uma série de ações para evitar que continue. Para pontuar o que o setor pretende fazer, foi feita uma carta com as principais diretrizes para frear a liberação de recursos públicos, via BNDES, para capitalizar grupos frigoríficos viabilizando seu crescimento e forte inserção em mercados estrangeiros. Na carta escrita em conjunto pelos representantes das entidades do setor produtivo, consta que a concentração, alavancada com recursos públicos, afeta a rentabilidade do negócio pecuário e, consequentemente, dificulta a sustentabilidade do setor, baseada no tripé: ambientalmente correta, socialmente justa e economicamente viável. Os pecuaristas querem também que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cadê) analise os procedimentos de aquisição das indústrias frigoríficas e acompanhe a interferência e desdobramentos dessas aquisições, onde claramente se nota o abuso de poder econômico utilizando-se, como já foi dito, de dinheiro público. Outra decisão dos pecuaristas foi a criação de um Conselho Nacional de Pecuária de Corte, com o objetivo de encaminhar as questões da cadeia da carne nas instâncias políticas, administrativas e institucionais pertinentes. Essa carta será entregue à Frente parlamentar da Agropecuária da Câmara Federal e no Senado para que o assunto seja levado ao governo federal, anunciou o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrisul), Francisco Maia. O segundo encontro do Movimento Nacional Contra o Monopólio dos Frigoríficos já tem data e local. O próximo encontro será realizado em Cuiabá, Mato Grosso, no dia 9 de julho, e coordenado pela Acrimat. DADOS - Mato Grosso tem o maio rebanho bovino do Brasil, com 29,1 milhões de cabeças e onde a concentração de grupos frigoríficos é grande. O Estado possui 39 frigoríficos habilitados com a inspeção federal, mas, apenas 27 estão funcionando. Somada a capacidade de abate dos frigoríficos instalados chega a 38.457 cabeças/dia, considerando os frigoríficos em funcionamento, cai para 30.802 cabeças/dia. Da capacidade instalada total do Estado em 2012, apenas o grupo JBS controla 48%, em 2008 este número era de 14%. O grupo JBS ainda detém 100% da capacidade de abate em operação nas regiões Nordeste e Noroeste do Estado.