O Parlamento grego aprovou na noite de terça-feira uma nova série de cortes no orçamento, solicitados pelos credores da Grécia em troca de um novo plano de ajuda. A maioria dos deputados da coalizão, formada pelos socialistas e os partidos conservadores, aprovou a redução de gastos, totalizando 3,2 bilhões para 2012. As medidas terão efeito particularmente sobre as aposentadorias dos funcionários públicos - que sofrerão reduções - nos salários dos dirigentes locais e na fusão de órgãos públicos. Na sexta-feira, o Ministério das Finanças da Grécia fez uma oferta formal de 107 bilhões para trocar os títulos da dívida com investidores privados e bancos, que chega a 350 bilhões. A troca projetada oferece aos credores uma perda de 53,5% sobre o valor nominal dos títulos públicos do país, em troca de papéis com prazos mais longos. A medida terá sucesso se a maioria dos donos de títulos aceitar as condições. MUDANÇA A mudança dos títulos faz parte do acordo com o Banco Central Europeu, a Comissão Europeia e o FMI (Fundo Monetário Internacional) para garantir o resgate de 130 bilhões, obtido na última segunda (20), que evitou o risco de o país entrar em quebra no mês de março. Esta é uma reestruturação recorde na história das finanças mundiais, que supera a suspensão de pagamentos da Argentina em 2002 de uma dívida de US$ 82 bilhões (US$ 73 bilhões da época). No caso da Grécia, não se trata de uma moratória, e sim de uma arquitetura complicada, baseada no consentimento dos credores. Uma vez iniciada a operação, a dúvida será o número de credores privados de títulos gregos dispostos a aceitar a redução de 53,5% dos títulos em suas mãos, mas a perda final superará 70% do valor inicial dos mesmos. Os candidatos voluntários terão até 9 de março para anunciar sua posição e a operação em si deve ser concretizada até 12 de março no caso dos títulos de direito grego e nos dias 5 e 6 de abril para os de direto inglês e japonês, explicou o ministro das Finanças Evangelos Venizelos.