ECONOMIA
Sábado, 05 de Julho de 2008, 13h:44
A
A
BILHÕES
Novo perfil econômico
Transformações que vão da soja à madeira, da pecuária de corte à leiteira, trouxeram R$ 6,5 bi e mais R$ 5 bi estão a caminho
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Com investimentos de R$ 6,5 bilhões nos últimos anos, 600 novas empresas e 200 mil empregos gerados em várias regiões do Estado, Mato Grosso se prepara para mudar o seu perfil econômico nos próximos anos. Em algumas regiões as transformações já estão ocorrendo e o que se percebe é que cada vez mais, Mato Grosso caminha para o seu processo de verticalização e tem previstos outros investimentos na ordem de R$ 5 bilhões em cinco anos. A verticalização é a agregação de valor à matéria-prima, no caso do Estado, ao invés de se vender o grão, transforma ele em ração que vai alimentar bovinos, suínos e aves e então, comerciliza-se a carne e não mais o grão da soja, por exemplo. Este novo perfil econômico será sustentado principalmente neste processo de agroindustrialização, que envolve não apenas a estrutura de produtos acabados, mas passa também pelo processo de logística e a geração de riquezas e empregos, agregando valor ao produtor e gerando receita tributária, serviços paralelos e novos negócios em Mato Grosso, diz o secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, apontando os incentivos fiscais como um dos responsáveis pela atração dos investimentos. (Veja quadro abaixo) Segundo ele, o governo de Mato Grosso está trabalhando agora para equacionar o problema da logística de transporte e de infra-estrutura no Estado, principais gargalos ao desenvolvimento estadual, visando atrair novas empresas e apoiar aquelas que já estão instaladas aqui. O interessante é que os novos investimentos não estão se concentrando em uma única região, mas distribuído em todos os municípios, afirma. Nadaf lembrou, contudo, que há regiões que passaram por um desenvolvimento rápido e o governo tem que estar atento para dar sustentação na área de infra-estrutura. De norte a sul, os investimentos não param. VERTICALIZAÇÃO - Um dos exemplos é o município de Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao médio norte de Cuiabá), onde pelo menos uma dezena de novas grandes empresas estão se instalando. Dos R$ 6,5 bilhões em investimentos incentivados pelo Estado, pelo menos R$ 1,5 bilhão foram aportados no município de Lucas, sendo apenas a Sadia, responsável pela injeção de R$ 800 milhões diretos e indiretos, com a contrução de seu primeiro complexo industrial no médio norte estadual. As empresas incentivadas vão gerar mais de cinco mil empregos diretos e 15 mil indiretos. Colíder (650 quilômetros ao norte de Cuiabá) é outro município que mudou o seu perfil econômico em função da instalação de empresas que receberam benefícios fiscais. Em maio foi assinado protocolo concedendo incentivo fiscal ao primeiro laticínio que fabricará leite e soro em pó em Mato Grosso, que irá gerar 80 empregos diretos e envolver mais de três mil pequenos produtores do município. Além dessas ações que irão impactar diretamente na melhoria da qualidade de vida de milhares de famílias, Mato Grosso está recebendo outros investimentos de grande vulto como a ampliação da Sadia em Campo Verde (135 quilômtros sul de Cuiabá), que vai triplicar a sua produção de frangos, gerando novos empregos e riquezas para a economia local. O projeto vai receber R$ 630 milhões e contempla um complexo agroindustrial que contará com abatedouros, fábrica de rações, incubatórios e granjas. Somados aos projetos de Várzea Grande e Lucas do Rio Verde, os investimentos da Sadia já passam de R$ 1,5 bilhão e a Sadia é atualmente a empresa privada responsável pela aplicação do maior investimento contabilizado no Estado. Outro grande investimento já consolidado em Mato Grosso é a Cervejaria Petrópolis, fabricante das marcas Crystal, Itaipava, Petra, Lokal e Black Princess, que na última sexta-feira inaugurou o seu empreendimento em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá). Até agora a Petrópolis já investiu R$ 120 milhões na planta e já empregou mais de 200 pessoas. Durante a inauguração, mesmo sem revelar cifras, o presidente da empresa, Valter Farias, anunciou que em 15 meses começarão as obras de ampliação da planta recém inagurada. Segundo Pedro Nadaf, os Arranjos Produtivos Locaios (APLs) estão mudando o perfil do setor moveleiro, permitindo que cidades como Alta Floresta, Colíder e Sinop exportem seus produtos para alguns países. Nadaf também aponta a verticalização no segmento de curtimento de couro, onde só nos últimos anos, sete empresas fizeram investimentos nos municípios de Várzea Grande e Pedra Preta, além de outras indústrias que também decidiram investir em Sinop e Araputanga, totalizando investimentos de R$ 40 milhões. (Mais na página C2)