ECONOMIA
Terça-feira, 13 de Junho de 2006, 19h:36
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SOJICULTURA - II
Novas medidas devem ser anunciadas hoje
Escaldados com postura da União, produtores afirmam que só acreditam nos prêmios vendo
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Os novos mecanismos de apoio à comercialização de soja já receberam sinal positivo da área jurídica e do Conselho de Administração da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e devem ser anunciados hoje pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues. Os mecanismos, que irão substituir o Programa de Opções Privada (Prop) para soja, serão oferecidos aos produtores e aos compradores, ou seja, indústria esmagadora e exportadores. De acordo com informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o papel do governo na operação será bancar a diferença entre o preço de mercado e o valor máximo estabelecido anteriormente. A idéia básica é pagar uma diferença de R$ 2 a R$ 6 em cada saca de 60 quilos, dependendo da região. O governo federal criou o Prêmio de Equalização para o Produtor de Soja (Pepro) e o Prêmio de Equalização da Soja (Pesoja). No caso do Pepro, os produtores do Pará, Rondônia e Norte do Mato Grosso, levando-se em conta o preço de exercício de R$ 22,50/saca para estas regiões, caso ele venda a soja por R$ 16,50 irá receber do governo os R$ 6 do prêmio, que são justamente as cifras que representam a diferença entre valor de exercício e de contrato. No Pesoja, a indústria ou trading receberá R$ 6 do governo federal para comprar a soja por R$ 16,50. Com estes mecanismos, o governo cobre a diferença entre os preços contratados e de mercado para o produtor, evitando um prejuízo maior na hora da comercialização. CAUTELA NO CAMPO -- Para o produtor Orcival Guimarães, que plantou 21 mil hectares (ha) de soja nos municípios de Lucas do Rio Verde, Sorriso e Tapurah (Norte e Médio Norte de Cuiabá) na safra 05/06, o Pepro e o Pesoja representam uma ajuda para o produtor vender sua safra, mas não chegam a ser uma solução definitiva para o problema da comercialização e da perda de renda no campo. O sojicultor destaca que a medida poderia ter sido anunciada mais cedo. Muitos produtores foram obrigados a vender sua soja por preços irrisórios, que não chegaram a cobrir os custos de produção. Somente aqueles que guardaram algum estoque serão beneficiados, adverte. Guimarães informa que apenas 15% da sua produção -- estoque que ainda não foi comercializado -- serão contemplados pelos dois programas a serem anunciados pelo Mapa. O presidente do Sindicato Rural de Primavera do Leste (239 quilômetros ao Centro Leste de Cuiabá) e produtor rural, José Nardes, vê a medida do governo federal com ceticismo e cautela. Temos que ver para crer, diz, lembrando que o governo federal anunciou recentemente o Prop (contrato de opções privado) da soja, e que até hoje não saiu do papel. Foi uma piada. Agora só acreditamos vendo, destaca. Nardes plantou 6 mil/ha de soja e já comercializou mais de 50% da sua safra. (Com Folhapress)