ECONOMIA
Quinta-feira, 06 de Outubro de 2011, 18h:53
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SAFRA 11/12
MT retoma liderança
Conab divulgou ontem sua primeira estimativa para a próxima temporada e Estado supera o PR
MARIANNA PERES
Da Editoria
Mato Grosso vai retomar a posição de líder na produção nacional de grãos na safra 11/12, recém-iniciada no Brasil, por meio do plantio da soja. Nesta temporada, o Estado deverá ofertar de 31,15 milhões de toneladas a 31,42 milhões, o que no intervalo menor e maior representaria crescimento de 0,7 a 1,5%, respectivamente, em relação ao volume de 30,94 milhões de toneladas (t) do ciclo 10/11. A liderança estadual foi mensurada por meio da primeira estimativa de safra, lançada ontem pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O Paraná, que em 10/11 havia retomado o primeiro lugar com 32,44 milhões de t, tem perspectiva de quebra entre 3,8% a 6,2%, percentuais que se confirmados renderão produção de 30,42 milhões de t a 31,21 milhões, respectivamente. Mato Grosso já deu início à safra ao semear os primeiros hectares de soja da nova temporada nacional. E é justamente a sojicultura que está sustentando a expansão mato-grossense. Dos quase 400 mil novos hectares e serem incorporados no Estado, mais de 300 mil serão cobertos com a oleaginosa. A Conab prevê que a área cultivada estadual passe de 9,63 milhões de hectares para até 10 milhões. Conforme observa a Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT), Mato Grosso é o estado do Centro-oeste que vai apresentar o maior aumento de área para plantio de soja, 4,5% em relação à área plantada na safra 10/11, saindo de 6,39 milhões de ha para até 6,71 milhões de ha. Para o presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, os dados da Conab confirmam aquilo que o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) já vinha apontando, que é o crescimento da área no Brasil e em Mato Grosso. No caso do Estado, principalmente na região leste, no Vale do Araguaia, onde a gente observa a conversão de área de pastagem para a agricultura. Desses 300 mil hectares, pelo menos 200 mil deve ser naquela região. Para a produção, o órgão projeta 20,82 milhões de t ante 20,41 milhões de t, mas Silveira aposta em um recorde maior, de até 22 milhões de t. Há duas safras, a produção estadual do grão vem contabilizando recorde sobre recorde. Mesmo otimista, o dirigente destaca que o crescimento na produtividade vai ser muito pequeno porque as novas áreas usadas para plantio não possuem a mesma produtividade e devem colher em torno de 40 a 45 sacos de soja com uma boa perspectiva. Ainda não podemos falar de produtividade nesta safra, mas esperamos até mais, que Mato Grosso colha 22 milhões de toneladas. MILHO - Para o milho de 2ª safra, em Mato Grosso, o levantamento da Conab aponta aumento de produção e produtividade de 1,3%, apesar de manter área inalterada. O produtor rural sorrisense (503 quilômetros ao norte de Cuiabá) Nelson Luiz Piccoli discorda. Ele acredita que mesmo sendo pequeno, haverá um aumento na área de milho safrinha. O produtor está atento às condições de mercado, e como o preço está favorável e a chuva veio na hora certa, ele vai aproveitar ao máximo a sua capacidade de plantio e assim disponibilizar toda área possível ao cereal, comenta. O último levantamento do Imea indica que quase 50% do milho da safra 2012 está comercializado. ALGODÃO O Estado seguirá líder, por mais uma temporada. Há tendência de crescimento de 2,5%, fato que deverá elevar a área plantada para 741,6 mil hectares ante os 723,5 mil ha cultivados na safra anterior. A produção pode aumentar em até 13,6%, ao atingir 1,06 milhão de t de pluma, ante 934,8 do ciclo 10/11. ARROZ A má notícia desta safra se refere ao arroz, única, entre as grandes culturas mato-grossenses, a indicar retração. De acordo com o levantamento do IBGE também divulgado ontem assim como o da Conab a nova temporada poderá ter área plantada 27% menor, já que a previsão é semear 168 mil hectares ante atuais 205 mil. A estimativa pode influenciar o produtor na escolha da cultura. O arroz, que não tinha perspectivas de bons preços, passa a ser uma alternativa viável, segundo o analista do mercado de arroz da consultoria Safras&Mercados, Eduardo Aquiles. Essa redução de área cultivada poderá levar a um aumento de preços. No entanto, não podemos nos esquecer de que existem outros fatores com muita influência no mercado, tal como o valor pago no mercado internacional, o montante de oferta disponível mundialmente, o efeito-câmbio e a situação da produção no Mercosul, pontuou Aquiles. O analista acrescentou que também é preciso analisar outros aspectos antes da escolha da cultura. Além dos preços, outro atrativo para a rizicultura é a estimativa de produção 18% menor. O engenheiro agrônomo e diretor da Agro Norte Pesquisa e Sementes, Ângelo Maronezzi, atribui a estimativa da queda de produção abaixo da redução de área plantada, principalmente às tecnologias empregadas na lavoura.