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ECONOMIA
Sexta-feira, 04 de Fevereiro de 2011, 19h:55

COPA 2014

Mercado em Cuiabá exige mão-de-obra qualificada

Capital está aquém do ideal para atender à demanda normal E precisa “acelerar” para acompanhar as exigências

Com o aumento da empregabilidade em Cuiabá, que ficou em 36° lugar no ranking nacional de geração de empregos em 2010 (foram 10.626 vagas com carteira assinada), e com as expectativas para a realização da Copa 2014, a qualificação profissional é questão que não pode ser excluída. No entanto, profissionais da área de Recursos Humanos e empresários apontam que a Capital ainda está aquém do que seria ideal para atender à demanda normal e precisa “acelerar” para acompanhar as exigências da Copa 2014. O vice-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL), Ruyter Barbosa, lembra que a entidade sempre teve esta preocupação com a qualificação do profissional do comércio e empresas em geral. Da telefonista ao vendedor, do gerente ao empresário, é importante tanto a qualificação técnica quanto a motivação. “O bom andamento de uma empresa depende em grande parte de seu quadro funcional, o que quer dizer que quanto mais preparados e motivados para trabalhar, mais chances os colaboradores terão de alcançar melhores resultados”. Segundo a psicóloga da empresa especializada em recursos humanos RH Brasil, Cristina Ohara, em Cuiabá há uma grande carência de profissionais qualificados no comércio. Ela explica que o setor não é exigente no que se refere à formação e que o principal fator nessa área é a afinidade e interesse do funcionário com o trabalho que vai realizar. “Para trabalhar com vendas, por exemplo, a pessoa tem que gostar mais de lidar com o público, de atender pessoas. O curso profissionalizante pode ajudar aqueles que estão no primeiro emprego e não sabem ainda qual a postura deve ter em uma empresa, mas a iniciativa de aplicar ou não as orientações dos cursos é de cada um”, afirma, lembrando que no final do último ano foi difícil encontrar profissionais com o perfil adequado para as contratações. Para o comércio, uma das funções essenciais é a de vendas. A assistente de RH da Rota Oeste Veículos, Daniela Martinez Andrade, traça o perfil ideal para um bom vendedor que a empresa procura “moldar” com treinamentos internos. “O profissional em vendas precisa conhecer o mercado em que trabalha, conhecer os produtos que vende, possuir boa argumentação, negociação, ser dinâmico, conhecer muito bem as técnicas em vendas, além de boa postura, ser desinibido e ter boa fluência verbal. O vendedor funciona como uma ligação da organização com o seu cliente. É com eles o contato inicial, a apresentação da empresa. O cliente bem atendido e satisfeito certamente voltará a comprar, irá indicar e a empresa e todos saem ganhando”. O gerente das Lojas Iracema, Antônio Cuco, avalia que não é tão difícil encontrar pessoas com o perfil para vendas, mas admite que a relação entre pessoas é muito delicada. “Muita gente deixa o currículo aqui, tem interesse em trabalhar e grande parte já tem até experiência. Mas garantir que o atendimento é sempre cem por cento a gente não pode, porque as pessoas são diferentes, podem estar com algum problema pessoal, não sei. Às vezes acontece alguma coisa nesse sentido até com funcionários mais experientes, mas a gente procura cobrar sempre o melhor atendimento, porque o cliente é muito importante para a loja, não é?”. Ele acredita que o perfil do trabalhador tem mudado, como a gerente da Carllota, Viviane Lívia dos Santos. “Quando comecei a trabalhar, eu dava o meu máximo na empresa. Mas hoje, se você pedir para um vendedor da loja passar um pano ma mesa ele não vai querer, porque ele não foi contratado para isso, entende?”, disse Viviane. A consultora e palestrante na área de recursos humanos, Fátima Lopes, acredita que não só profissionais, mas também empresários ainda não despertaram para a necessidade da qualificação ou mesmo orientação para o desenvolvimento do trabalho. “Não há como exigir resultados sem proporcionar as condições necessárias. Poucas empresas na região têm consciência disso. O funcionário tem que ter uma visão ampla, mente aberta, porque nós temos muitas singularidades hoje, com o dedo podemos acessar o mundo!”, disse. “A verdade é que algumas empresas oferecem condições medíocres, contratam profissionais medíocres e têm, por conseqüência, resultados medíocres”. Para Fátima, as áreas de atendimento e relacionamento são as mais críticas com relação à qualificação. Ela afirma que é preciso uma “preparação severa com novo foco para formar executivos de vendas” e não vendedores (que chamou de vende dores). Nesse sentido, Fátima falou que as entidades de classes empresariais, bem como o poder público, têm papel importantíssimo, para incentivar e promover a qualificação adequada. Sobre a Copa 2014, a consultora diz que ainda é um ponto de interrogação. “Nós temos três anos para fazer milagre. Temos que acelerar esse processo de qualificação para não transformar uma tremenda oportunidade em uma ameaça”. Ruyter Barbosa lembra a pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), realizada em parceria com a Prefeitura de Cuiabá, agências de turismo, agências de viagens, bares e restaurantes, hotéis, locadoras de veículos, transporte turístico, turismo e locadora. “Nesta ficou demonstrado que a maioria destes estabelecimentos investe em capacitação de seus funcionários (78,38%). Mas, ao mesmo tempo, fica o ponto de interrogação sobre a qualidade deste aprendizado, pois conhecimentos estratégicos como saber uma segunda língua respondem por um percentual muito pequeno: 2% (Espanhol) e 10% (Inglês). E, mesmo quando o assunto é atendimento ao público, apenas 30% se preocupou que seus atendentes tivessem este treinamento”, pontua o vice-presidente da CDL.

Edição EDIÇÃO 16962




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