Medo de perder emprego motiva acordo para redução salarial
O medo de perder o emprego é o que faz a maioria dos trabalhadores aceitar acordos de redução de jornada de trabalho e salários. Essa é a avaliação feita por economistas e líderes sindicais, com base na pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem, e que mostra 50% dos entrevistados favoráveis à diminuição da jornada e dos salários, como forma de enfrentar a crise financeira internacional, e 38,9% contrários à medida. O presidente da Central Única dos trabalhadores (CUT), Artur Henrique, é um dos que são contrários à medida. Para ele, o resultado da pesquisa da CNT/Sensus não poderia ser outro. "Dependendo de como a pergunta é feita já se tem a resposta. Nesse caso, a resposta já está dada antes mesmo da pergunta. É óbvio que um trabalhador prefere um salário menor ao desemprego, ainda mais pressionado. Eu também responderia dessa forma", ironizou. Na opinião do líder sindical, a resposta poderia ser outra se o questionamento fosse diferente. "Agora, se você perguntar se o trabalhador prefere redução salarial ou medidas como férias coletivas, fim das horas extras e jornada menor durante a crise, com compensação depois que a demanda se recuperar, a resposta será outra", emendou. Para ele, a redução da jornada e dos salários não é uma forma positiva de enfrentar a crise, pois acaba por diminuir também o consumo e, consequentemente, o crescimento econômico.