ECONOMIA
Sábado, 05 de Março de 2011, 12h:15
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ABATE RELIGIOSO - II
Mato Grosso aumenta participação
Levantamento da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt) mostra que no ano passado a participação do Oriente Médio nas exportações mato-grossenses de cortes bovinos foi de 28,29% em volume comercializado (US$ 312,62 mil). No caso específico do comércio da carne todos os tipos de produtos desse segmento Mato Grosso exportou ao bloco do Oriente Médio 96 mil toneladas. Da arrecadação total de carne ao bloco árabe-judaico, 75,7% foram auferidos pela venda de carne bovina. (Veja quadro ao lado) Aos países do Oriente Médio foram destinados 28% do total das vendas de carne, sendo os principais países compradores do bloco a República Islâmica do Irã e a Arábia Saudita, cujos embarques corresponderam a 75% dos valores exportados de carne. O Serviço de Inspeção Federal (SIF) do Ministério da Agricultura não atua em certificações de cunho religioso, como a halal. No entanto, todo estabelecimento, independentemente do tipo de abate realizado, conta com fiscais que examinam as áreas dos matadouros e frigoríficos e verificam o cumprimento de itens de higiene, documentação do estabelecimento e condições de saúde do animal. O mercado halal em todo o mundo é estimado em mais de US$ 400 bilhões, com crescimento de 15% ao ano. Pelo menos metade dos US$ 480 bilhões anuais movimentados pelo mercado halal vêm dos países árabes, tanto dos localizados no Oriente Médio, como os países africanos, como Marrocos e o Egito. Os empresários vêem o sistema de abate como vantagem competitiva para as indústrias brasileiras. Estatísticas mostram que os países árabes importam cerca de US$ 70 bilhões de produtos agroindustriais e que o Brasil supra apenas 10% desse total. Acredita-se que é possível abocanhar fatias maiores desse mercado, desde que se preste mais atenção à importância da agregação de valor aos produtos. Nesse fluxo, as carnes halal apresentam esse diferencial, na opinião do secretário da entidade. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Pratini de Moraes, esse aumento das exportações brasileiras de carne bovina se deve ao fato de o Brasil estar estruturado para atender às exigências sanitárias e religiosas, na forma do abate halal. "Nós temos frigoríficos especializados no abate para países muçulmanos", disse. JUDEUS - Em menor escala no Brasil, mas seguindo princípios semelhantes aos do halal, a certificação kosher (ou kasher) é feita especificamente para atender consumidores judeus. O termo se aplica a alimentos preparados de acordo com as normas alimentares da religião judaica, a kashrut. O abate de bois e aves é supervisionado por um rabino e, assim como na religião muçulmana, denota a conexão entre o homem e Deus por meio da alimentação. De acordo com a doutrina judaica, os alimentos ingeridos são absorvidos por todo o corpo, afetando atributos da personalidade. Para os adeptos à religião, aves de rapina e suínos têm o poder de acentuar a agressividade e estão proibidos pelo Torá, o livro sagrado dos judeus. A degola também é a base do abate kosher, realizado com instrumento específico para o corte das artérias carótidas e veias jugulares. O ritual leva o nome de schechitá e os sacerdotes responsáveis são chamados de shocatim. A saúde do corpo e da alma, tanto do animal, quanto de quem vai consumir a carne, é importante para um povo com mais de trinta séculos de tradições. O sistema vem das origens do povo de Israel e visa diminuir ao máximo o sofrimento do animal. A lei judaica proíbe o abate na presença de outros animais para evitar que presenciem a aflição da espécie. A ingestão do sangue também não é bem vista pela religião. Após a morte do animal, a carne é salgada com o propósito de absorver todo o líquido, conservá-la e protegê-la de micróbios. (MM)