ECONOMIA
Sábado, 30 de Maio de 2009, 12h:30
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LANÇAMENTO
Livina chega e enfrenta a concorrência
É o primeiro veículo da Nissan produzido no Brasil fora do segmento de picapes e utilitários e também o primeiro carro flex fuel da marca
ROSIVALDO SENNA
Editor de Veículos Com Assessoria
Para brigar com seus principais concorrentes no segmento (Chevrolet Meriva, Fiat Idea e, principalmente, Honda Fit), a Nissan lança no mercado brasileiro o monovolume compacto Livina, de 5 lugares. É o primeiro Nissan produzido no Brasil, fora do segmento de picapes e utilitários, e também o primeiro carro flex fuel da marca. O veículo combina características únicas de espaço, performance e tem a valorizadora beleza do Murano visto de frente. Com linhas que lembram o Nissan Tiida, principalmente na dianteira, o modelo já pode ser encontrado nas 68 concessionárias da Nissan espalhadas por todo o País. Chega em quatro versões: 1.6 16V e 1.8 16V e as top de linha 1.6 16V SL e 1.8 16V SL. AIRBAG Equipado com airbag para o motorista, ar-condicionado, direção com assistência elétrica, travas e vidros elétricos, o Livina 1.6 mais simples tem preço sugerido de R$ 46.690, mais barato que o principal concorrente do segmento, o Honda Fit, que, na versão LX 1.4 flex, custa a partir de R$ 51.845. Por ser produzido no Brasil, o índice de nacionalização dos modelos é de 70%. Peças importadas virão principalmente das fábricas da Nissan nos Estados Unidos, China e México. A versão SL acrescenta CD player MP3 com entrada para iPod, rodas de liga leve, freios ABS + EBD com sistema BA (que aplica toda a força de frenagem quando os sensores detectam que o pedal do freio foi acionado abruptamente), faróis de neblina, travamento automático das portas e air bag para passageiro. DESIGN Parece que o Livina foi desenvolvido para não gerar polêmicas. Seu desenho traz receita simples, com linhas limpas e design que se não impressiona, também não choca. A grade frontal guarda muita semelhança com o crossover Murano, assim como os grandes faróis angulosos - o que pode ser considerado mais impactante no visual. O pára-choque ressaltado oferece um toque de robustez ao desenho, que ainda conta com a ajuda das caixas de rodas para fora. A linha de cintura alta segue a receita básica típica dos monovolumes, favorecendo a condução e a sensação de segurança. O espaço, tanto para passageiros quanto para bagagem, será um dos fortes argumentos do Livina. Dentro do Livina, estas medidas traduzem-se em 877 mm de espaço para motorista e 584 mm para acomodar as pernas dos passageiros. A altura do teto também oferece conforto para quem vai atrás, com 116 mm de área livre até o teto. Na prática são medidas que, de fato, garantem bem-estar de quem anda no Livina. Para as bagagens há 449 litros. Além disso, as portas possuem ângulo mais reto e boa abertura, o que facilita o acesso ao carro. Internamente, o Livina é franco, com acabamento de guerra, mas que não o desautoriza no segmento. Há bastante uso de plástico, porém sem rebarbas e bem encaixados. Para trazer sofisticação ao ambiente há o velho recurso de utilização de cromados. O painel é dividido em três seções e permite fácil acesso aos comandos. O pecado da empresa foi não oferecer regulagem de altura do cinto de segurança. DESEMPENHO Aproveitando a aliança Renault-Nissan, a empresa utiliza o mesmo motor 1.6 16V flex utilizado nos modelos Mègane e Scènic. Quando abastecido com álcool, ele gera potência de 108 cv a 5.750 rpm. Se utilizar gasolina, a potência cai para 104 cv na mesma faixa de rotação. O torque é de, respectivamente, 15,3 kgfm e 14,9 kgfm, ambos a 3.750 rpm. Quem procura mais potência tem a versão 1.8 16V (somente automática) que atinge 125 cv a 5.200 rpm com gasolina e 126 cv, na mesma rotação, com álcool. O torque é de 17,5 kgfm a 4.800 rpm com qualquer combustível. Com o reforço do Livina, a Nissan espera aumentar as vendas de 17.390 unidades no ano passado para 25 mil este ano. Até agora, na fábrica que a empresa compartilha com a Renault, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, era produzida apenas a caminhonete Frontier. LANÇAMENTO A partir deste segundo semestre, quando a empresa lança a minivan Grand Livina, com capacidade para 7 passageiros, a expectativa é que seja instituído o segundo turno na fábrica. Contratações de novos metalúrgicos, no entanto, somente serão efetivadas em acordo com a Renault. O investimento para a fabricação dos 2 modelos foi de US$ 150 milhões. Segundo o presidente da Nissan Mercosul, Thomas Besson, até agora a montadora competia num universo de 19% do mercado. Com o Livina amplia a disputa para 30%. A expectativa é que a participação total da marca japonesa cresça de 1% para 1,7%. Contando com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), a previsão é vender 7,2 mil unidades do Livina ainda este ano. Mas Besson não quis fazer nenhum prognóstico para um cenário sem o benefício fiscal. O Livina já é fabricado há 3 anos na Indonésia, China, Taiwan e África do Sul, com vendas que ultrapassam 100 mil unidades. Besson não descartou que, futuramente, o modelo possa ser exportado para países da América Latina.