O juro do cheque especial voltou a subir e atingiu o maior nível em quase cinco anos. Em tempos de aumento da Selic, o juro da linha de crédito mais cara do sistema financeiro aumentou 2,9 pontos em abril e atingiu 152,7% ao ano, no maior patamar desde setembro de 2003. O comportamento é contrário ao observado nas demais linhas de crédito voltadas às pessoas físicas que, na média, caíram 1,7 ponto, para 65,9% ao ano. O chefe do Departamento Econômico do Banco Central (BC), Altamir Lopes, explica que o aumento das taxas do cheque especial tem relação direta com a necessidade crescente de recursos por parte dos clientes. "O comportamento mostra a busca das famílias por recursos nos bancos", diz, ao comentar que a taxa praticada atualmente é "proibitiva". O aumento do juro continua em maio. Dados preliminares mostram que a taxa avançou mais 4 pontos e já opera em 156,7%. A subida do juro do cheque especial vai na contramão do movimento observado nas outras linhas de crédito destinadas às famílias. Na média, o juro para as pessoas físicas caiu para 65,9%, menos da metade do juro do cheque. O número não leva em conta as taxas praticadas no consignado.