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ECONOMIA
Terça-feira, 12 de Junho de 2012, 20h:44

VEÍCULOS O-KM

IPI fez a diferença

Redução sobre imposto ampliou demanda e fez de maio o melhor mês em vendas deste ano em Mato Grosso

MARIANNA PERES
Da Editoria
Maio foi o melhor mês de vendas de veículos zero-quilômetro em Mato Grosso. Foram comercializadas 9.934 unidades, volume acima do contabilizado em março, 9.695, até então, o melhor momento de 2012 para as concessionárias estaduais. A redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) fez a diferença no segmento que vinha contabilizando perdas e se preparava para mais um mês de pouco movimento. Para garantir o benefício e realizar o sonho do carro novo, consumidores correram para as revendedoras e 60% do volume comercializado foi demandado nos últimos dez dias do mês, justamente após o anúncio das medidas de incentivo ao consumo interno anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em 21 de maio. Os quase dez mil veículos vendidos deveriam ter sido faturados ao longo do mês, mas com um cenário econômico de poucas perspectivas – alta dos juros e endividamento – o escoamento das unidades esteve represado. Com a medida, os carros até mil cilindradas de montadoras instaladas no Brasil, conhecidos como 1.0, passaram de IPI 7% para zero. Já os veículos álcool e flex entre 1.0 e 2.0, ainda na categoria de montadoras que possuem fábrica no país, gerarão 5,5% de IPI ao contrário dos 11% cobrados antes da medida vigorar. O IPI de carros 1.0 a 2.0 a gasolina caiu de 13% para 6,5%. E os utilitários, que geravam 4% de imposto, irão gerar 1%. A desoneração para o setor vigorará até 31 de agosto e poderá provocar uma economia de cerca de R$ 2,5 mil a R$ 3 mil para o consumidor dependendo da marca, motorização e modelo escolhido. “As concessões de crédito ainda não foram facilitadas, o que permite concluir que o mercado só apresentou melhores índices em virtude da redução do IPI”, aponta o diretor regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave/MT), Manoel Guedes. Os 9.934 emplacamentos do último mês englobam as categorias de automóveis (carros de passeio), comerciais leves (caminhonetes), caminhões, ônibus e motocicletas. Foram 3.210 automóveis no Estado, 1.439 comerciais leves, 218 caminhões, nove ônibus e 5.058 motos. À exceção do segmento de ônibus, todos os outros apresentaram saldo positivo em relação ao comercializado em abril. “O mercado de ônibus é movimentado por compras sazonais, até agosto devemos ter aumento nas vendas, visto as condições do IPI e o fato de estarmos em ano político”, diz Guedes. PERSPECTIVAS – Com o mercado e o consumidor otimistas, a perspectiva do segmento é que haja antecipação de compra nos próximos meses. “Havia uma demanda reprimida e quem estava indeciso decidiu comprar com a redução do IPI. Quem pretendia trocar de carro no final do ano, possivelmente vai garantir a compra até agosto”, observa Manoel Guedes. Como o Diário já havia antecipado no mês passado, a medida é considerada pelo segmento extremamente positiva, no entanto, o desfecho da crise atual não será igual a anterior. “O governo federal mexeu onde pode, diminuiu os impostos, inclusive o IOF, que também contribui para essa atmosfera de otimismo que estamos vivenciando e solicitou aos bancos a flexibilização do crédito, porém isso ainda não ocorreu na totalidade”, pontua. Ele explica que os bancos registraram recordes de inadimplência no último ano, ainda em reflexo do crédito mal concedido em 2009. “Com 5,7% dos consumidores endividados, agora os bancos estão mais criteriosos, e o consumidor também amadureceu, antes ele queria comprar sem saber quanto iria pagar, hoje ele quer saber exatamente como fazer a conta dos juros. Essa é uma fórmula altamente eficaz para quem quer olhar para o futuro. Por isso, devemos ter bons momentos econômicos sem gerar um consumo desenfreado e inadimplência”, explica. FÔLEGO - O mês passado fechou com um aumento de 22,11% nos emplacamentos em relação a abril, cujo saldo de vendas foi de 8.135. O percentual supera o observado em igual período no Brasil, cuja alta foi de 11,5%. Mesmo comemorando vendas que praticamente foram realizadas em apenas dez dias, o saldo positivo se restringe à análise mensal, já que o quadrimestre fechou negativo, retração de 4,99% na comparação com igual período do ano passado assim como no acumulado dos cinco primeiros meses do ano. De janeiro a maio são 43.673 emplacamentos, contra 46.080 em 2011. No percentual, a diferença é de -5,22%. Na comparação maio 2012 ante maio de 2011 a queda é 5,99%, já que no ano passado foram comercializadas 10.567 unidades.

Edição EDIÇÃO 16967




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