ECONOMIA
Quinta-feira, 01 de Março de 2012, 19h:33
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ACORDO/MÉXICO
Governo brasileiro nega protecionismo
O secretário-executivo do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Alessandro Teixeira, negou ontem que a renegociação da acordo automotivo com o México, pedida pelo governo brasileiro, seja uma medida protecionista. "Estamos em negociação com o México. O que queremos que fique claro é que não é protecionismo", afirmou ele durante a divulgação da balança comercial de fevereiro. "Se não a discussão não seria apenas sobre veículos. O tema aqui é o aumento da produção nacional e do fortalecimento desse setor", completou. Nesta semana, delegações dos dois países se reuniram em Brasília para discutir formas de equilibrar a balança comercial bilateral de veículos, que foi negativa para o Brasil em quase US$ 2 bilhões no ano passado. Em janeiro e fevereiro, o Brasil importou 38,6 mil veículos do México, número 250% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, segundo dados do Mdic. Desde o começo do mês passado, os governos brasileiro e mexicano negociam a revisão do acordo automotivo. De acordo com Teixeira, o Brasil quer que o México eleve o percentual de peças nacionais dos seus veículos. "Os mexicanos vieram porque queremos discutir agregação de conteúdo local", afirmou. Hoje, o índice para que um carro seja considerado mexicano é de somente 30%. No Brasil esse índice é de 65%. NACIONALIZAÇÃO O estabelecimento de um índice de nacionalização comum aos dois países é considerado crucial pelo governo brasileiro, já que desde dezembro o Brasil cobra 30 pontos percentuais a mais de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de carros que não sejam fabricados no país, no Mercosul ou no México. O raciocínio é: de que adianta barrar a entrada de importados, com o objetivo de estimular investimentos das montadoras na produção em território brasileiro, se os mexicanos, que não estão sujeitos à alta do imposto, exigem um percentual muito menor do que o Brasil? "Seria fácil as montadoras mandarem para cá, sem bancarem o IPI maior, veículos em tese produzidos no México, mas com alto percentual de peças produzidas, por exemplo, na China", observou à Folha uma fonte brasileira próxima às negociações entre os dois países, que preferiu não se identificar. A dificuldade de se estabelecer um índice comum é o fato de o México usar um cálculo distinto do brasileiro para se chegar ao percentual. Além disso, o Brasil planeja tornar mais rígida sua própria forma de calcular o índice.