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ECONOMIA
Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007, 19h:36

EFEITO MORALES

GNV dura 30 mais dias

Mato Grosso está há cerca de 90 dias sem receber gás natural do governo boliviano. Estoque atual é igual ao consumo da MT Gás

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
A Empresa Produtora de Energia (EPE), operadora da usina termelétrica Mário Covas, em Cuiabá, admitiu ontem, pela primeira vez, que os estoques de gás natural nos dutos estão no fim. Se o fornecimento do insumo para a usina não for restabelecido imediatamente, dentro de 30 dias as reservas das tubulações do gasoduto Bolívia-Mato Grosso chegarão ao fim. Há cerca de 90 dias o governo boliviano não envia gás para o Estado e desde o dia 26 de agosto a usina está desativada. Depois da usina e do sistema elétrico estadual, serão prejudicados pela escassez do insumo os motoristas que converteram seus carros para gás natural veicular e a planta da Sadia, em Várzea Grande, – a única a utilizar esta matriz energética no processo industrial, em Mato Grosso – que ficarão sem combustível antes do final do ano. De acordo com o diretor de Assuntos Regulatórios, Comerciais e Institucionais da EPE, Fábio Garcia, a pressão nos dutos está diminuindo a cada dia, o que tem dificultado o trabalho de compressão do gás e o seu envio à Companhia Mato-grossense de Gás (MT Gás), responsável pelo atendimento dos quatro postos de GNV na Grande Cuiabá e pela planta da Sadia, em Várzea Grande. Segundo cálculos da usina, o volume de gás nas tubulações do gasoduto estaria em torno de 700 mil metros cúbicos (m³), o que daria para atender a Sadia e os veículos convertidos nos próximos 30 dias já que a projeção de consumo para dezembro, segundo a MT Gás, é de 800 mil metros cúbicos de gás. No mês passado, Mato Grosso consumiu cerca de 700 mil metros cúbicos, sendo 50% deste estoque voltado para suprimento veicula e, a outra metade, à Sadia. Além do desabastecimento, Cuiabá corre o risco de ter prejuízos em sua termelétrica, no Distrito Industrial. “Há necessidade de a usina fazer a manutenção em suas caldeiras e turbinas pelo menos uma vez por mês e para isso, precisamos de gás. Se este trabalho não for feito, a usina corre o risco de ter as suas tubulações oxidadas, danificando os equipamentos”, alerta Fábio Garcia. Para realizar este trabalho, segundo ele, são necessários pelo menos 700 mil metros cúbicos de gás. Isso quer dizer que se este processo de manutenção fosse feito hoje, as reservas seriam zeradas e a MT Gás ficaria sem o insumo até mesmo para os veículos. Em outra análise, caso o suprimento não seja restabelecido pela Bolívia e, dentro de 30 dias as reservas se esgotem, a termelétrica é que ficará sem o gás para fazer a manutenção dos seus equipamentos. POSTOS - A reportagem do Diário percorreu ontem os postos e não constatou falta do gás para atendimento veicular. O proprietário do Posto Metropolitano, Rahmed Moussa, informou que o abastecimento vem sendo feito normalmente pela MT Gás. “Até agora ainda não ficamos sem gás em nosso posto”, garantiu ele. O gerente do Posto Santa Elisa, Ronaldo Aparecido da Silva, também afirmou que o suprimento de gás natural no posto é normal. “Por enquanto o abastecimento segue sem alterações. Nunca a MT Gás deixou de nos abastecer e o atendimento vem sendo feito regularmente”, disse ele. O presidente da MT Gás, Helny de Paula, foi procurado pela reportagem, por meio do celular, mas não obteve contato. DESCUMPRIMENTO - De acordo com o deputado estadual Carlos Avalone Júnior, que visitou ontem a termelétrica em companhia dos senadores Jaime Campos e Jonas Pinheiro, a situação de Mato Grosso é mais grave porque os bolivianos não estão cumprindo o contrato firmado este ano, que prevê o corte de 50% no fornecimento do gás. “O contrato original previa o suprimento de 2,2 milhões de metros cúbicos por mês. Agora, nem reduzindo esta quantidade pela metade (1,1 milhão de metros cúbicos) e aumentando os preços de US$ 1,19 por milhão de BTU para US$ 4,20 eles estão nos atendendo e colocando em risco o suprimento de gás em Cuiabá”. O vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiemt), José Antônio de Mesquita, diz que os empresários vão cobrar uma intervenção política do Congresso para equacionar o problema do fornecimento de gás natural. “Tecnicamente, todas as tentativas foram exauridas. Tudo o que podia ser feito já foi colocado em prática e agora a solução está na esfera política. Não há outra saída”, afirma. O deputado Carlos Avalone informou que a Comissão de Infra-estrutura do Senado vai tirar uma posição para que uma comissão seja criada para pressionar o presidente Lula a tomar uma decisão “mais firme sobre a questão do gás”.

Edição EDIÇÃO 16967




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