ECONOMIA
Terça-feira, 04 de Março de 2008, 21h:18
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Fiscais europeus apontam falhas no sistema do País
Menos de uma semana depois de iniciar as vistorias nas fazendas de pecuária de corte de 28 municípios do País, fiscais europeus voltaram a apontar falhas localizadas no sistema de rastreabilidade dos rebanhos. Em vistoria realizada na segunda-feira numa fazenda do município mineiro de Unaí, os técnicos conferiram a identificação de cerca de 1.200 animais de um rebanho de 4.500 cabeças. Durante o trabalho, os funcionários da fazenda não conseguiram localizar oito animais que estão registrados no Sisbov, o sistema de rastreabilidade. A fazenda tem cerca de 10 mil hectares. Os europeus deixaram a fazenda por volta da meia-noite sem saber se os animais não foram localizados porque a fazenda é muito grande ou se os bovinos foram abatidos, morreram ou foram vendidos sem o obrigatório registro de movimentação. Uma outra fonte contou, no entanto, que os três europeus que inspecionavam a fazenda ficaram irritados porque funcionários da empresa certificadora responsável pela rastreabilidade na propriedade não acompanharam os trabalhos de campo. Um funcionário da Tracer Certificadora, responsável pela rastreabilidade na fazenda que pertence ao grupo AC Agromercantil, negou a acusação. Ele explicou que dois técnicos acompanhavam os trabalhos iniciais dos europeus, mas que um deles precisou se ausentar da fazenda durante o dia. A Tracer é responsável por 25 das 87 fazendas mineiras que estão na lista provisória de 106 propriedades consideradas aptas a vender animais para frigoríficos que abastecem o mercado europeu. Ontem, após participar de reunião para debater as prioridades do agronegócio no mercado internacional, o presidente da Comissão de Comércio Exterior, Gilman Viana Rodrigues, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), voltou a propor que o Ministério da Agricultura delegue aos Estados o trabalho de auditorias nas 50 empresas certificadoras credenciadas pelo ministério. "Não vejo o pessoal do ministério lá em Minas Gerais", disse Viana, que é secretário de Agricultura do Estado. Desde janeiro, as auditorias nas certificadoras são feitas por técnicos da Secretaria de Defesa Agropecuária, do ministério, nos Estados. Para Viana Rodrigues, as exigências quanto à rastreabilidade dos alimentos serão cada vez maiores no mercado internacional. "Se a meta é continuar vendendo precisamos dinamizar as auditorias", agumentou. Ele disse que a secretaria mineira tem 1.100 técnicos que poderão trabalhar na fiscalização das certificadoras. Quanto à proposta de modificar o sistema de identificação dos rebanhos e trocar os atuais brincos e bótons por chips, o dirigente defendeu a participação dos frigoríficos no processo, já que a mudança exige investimentos. "Do bolso de Jesus Cristo não sai nada", argumentou. Na reunião de ontem, o secretário de Relações Internacionais do Agronegócio, Célio Porto, do Ministério da Agricultura, contou que o foco da pasta é garantir maior presença dos produtos brasileiros nos principais entrepostos do mundo, principalmente nos Emirados Árabes e no Panamá, que é acesso aos mercados da América Central e do Caribe. Na semana que vem, o secretário viajará para a China para negociar o fim das barreiras sanitárias que impedem a venda de carnes suína e de frango para o país. Ele está confiante na negociação. Os índices de inflação no país asiático estão altos, o que pode incentivar a abertura do mercado local, avaliou.