ECONOMIA
Domingo, 30 de Agosto de 2009, 00h:01
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Famato diz que medida tira o livre-arbítrio
Entidades produtoras de Mato Grosso elevaram o tom alarmista das críticas contra o governo federal por conta da alteração dos índices de produtividade visando a desapropriação de terras. As entidades apontam motivos ideológicos e riscos de violência no campo se a medida for aprovada. Segundo o consultor econômico da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Amado Oliveira Filho, a medida tira o livre arbítrio do produtor em fazer o uso do solo. Estabelecendo qualquer índice, o produtor fica obrigado a manter continuamente seu ritmo de produção, não importando se irá ou não levar prejuízo por causa de um possível excesso de estoque de produto no mercado. É preciso ficar claro que a decisão de plantar em uma escala maior ou menor é do produtor, de acordo com o comportamento do mercado. Ele diz que a medida força o produtor a plantar cada vez mais, mesmo diante de um cenário desfavorável que poderá lhe remeter a crises. Oliveira Filho afirma que o governo federal deve agir com cautela e bom senso, evitando colocar em risco a propriedade do produtor. A situação cria uma insegurança jurídica muito forte e o agricultor terá de trabalhar sob pressão. Acho que a medida tira a opção do produtor em fazer um bom planejamento de safra, reforça. APROSOJA - O diretor executivo da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), Marcelo Duarte Monteiro, vê com extrema preocupação a discussão em torno das mudanças nos índices de produtividade por entender que há cunho ideológico muito forte por trás disso. Na opinião de Monteiro, o produtor de hoje, para sobreviver, tem de produzir bem acima dos índices estabelecidos pelo governo. Se produzir menos, o próprio mercado se encarrega de expulsá-lo da atividade. Não há, portanto, necessidade de qualquer instrumento de pressão para forçar o produtor a plantar além do que é preciso. O problema, segundo o diretor da Aprosoja/MT, é que ninguém está livre de uma quebra de safra provocada por fatores climáticos ou pragas, por exemplo. Acho que temos de repensar isso seriamente. Ele entende que é preciso valorizar mais o homem do campo e dar condições para que não ocorram perdas e frustrações de safra. O governo federal deve fazer sua parte, implementando políticas de crédito, seguro real e renda e, ao mesmo tempo, garantir uma plataforma de produção que seja compatível com outros países produtores concorrentes, que possuem seguro de produção, custo mais barato e câmbio estável. Monteiro aponta que a área ocupada pelos assentamentos 77 milhões de hectares - é bem maior que a utilizada pelo plantio de grãos no Brasil. Achamos que quem tem de produzir e melhorar os índices de produtividade são os assentamentos. Mas, para tanto, o governo deve dar condições para eles se tornarem produtivos. Para Monteiro, a medida é inoportuna e despropositada em razão da conjuntura econômica atual, prejudicada pela crise mundial, pela disparidade cambial e pela queda nos preços dos produtos agrícolas. Segundo ele, é inconcebível mexer nos índices de produtividade quando o homem do campo precisa ter tranquilidade para continuar produzindo. (MM)