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ECONOMIA
Segunda-feira, 27 de Julho de 2009, 19h:55

GNV

Estoque para 25 dias

‘Novela’ entre Mato Grosso e Bolívia se repete. Sete meses depois, insegurança e dúvidas relativas ao suprimento voltam ao mercado local

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
Depois da boa notícia no começo deste mês – redução dos preços em 11% na bomba – os proprietários de carros a gás receberam uma ‘ducha de água fria’ ontem pela manhã ao serem informados pelas revendas que o estoque de GNV (Gás Natural Veicular) pode acabar em 25 dias. Tudo porque a Bolívia não está fornecendo gás desde o final do ano passado, quando foi feito o último envio à MT Gás, a estatal mato-grossense que mantém contrato de fornecimento com a Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). O suprimento aos seis postos e à planta da Sadia está sendo feito apenas com o gás ‘estocado’ no duto e as reservas estão chegando ao fim. A notícia pegou de surpresa os motoristas que foram abastecer seus carros ontem. “Me informaram que daqui a alguns dias poderemos ficar sem o gás novamente. Isso é ruim para todo mundo, pois gera desconfiança no sistema. Eu também já estou pensando em retirar os equipamentos do carro”, disse o eletricista Jair da Costa Vital. De acordo com proprietários dos postos, o comunicado da distribuidora de gás de Mato Grosso chegou na sexta-feira, informando que tendo em vista a drástica redução da pressão no duto Cuiabá-Bolívia, o estoque de gás poderá acabar e o fornecimento estar suspenso em 25 dias, caso um novo envio não seja feito imediatamente. De acordo com informações, o último envio a Mato Grosso - 3,30 milhões de metros cúbicos (m³) - foi feito em dezembro de 2008, após o acordo temporário firmado entre a MT Gás e a estatal boliviana YPFB. O contrato previa o envio de 3,504 milhões m³, sendo que a diferença (204 mil m³) não foi despachada devido a problemas técnicos do lado boliviano. Caso este estoque seja disponibilizado no duto, a reserva suplementar daria para mais cerca de 20 dias, o que reduziria a pressão sobre a estatal mato-grossense para um equacionamento emergencial, com o prazo se estendendo a 45 dias. A reportagem do Diário procurou ontem o secretário de Indústria, Comércio, Minas e Energia, Pedro Nadaf, que se preparava para uma viagem e não pôde dar a entrevista. O Diário não conseguiu contato também com o chefe do escritório de Mato Grosso em Brasília, Jefferson de Castro. Em Cuiabá o presidente da MT Gás, Helny de Paula, que estava em reunião pela manhã, informou laconicamente que na semana passada a estatal enviou os últimos documentos à estatal boliviana, a YPFB, para a assinatura do contrato de fornecimento. Helny ficou de passar outras informações sobre o andamento das negociações, mas não retomou o contato com a reportagem. A informação que se tem é de que no último acerto com os bolivianos, o governo de Mato Grosso teria concordado em aceitar a remessa ‘avulsa’ de gás por meio de um contrato emergencial, só para atender à demanda naquela época. “Foi apenas um envio. De lá para cá não recebemos mais nada deles”, afirmou uma fonte ligada à Companhia, apontando que está faltando vontade política, iniciativa e dinamismo para resolver o problema do gás com a Bolívia. “O acordo foi subjetivo, não há nenhuma garantia de suprimento a Mato Grosso. As autoridades precisam ser mais contundentes nestas negociações e não afrouxar para os bolivianos”. Outra informação é de que ao invés dos US$ 7 por milhão de BTU (unidade térmica do gás), a MT Gás estaria pagando à Bolívia quase US$ 12 por milhão de BTU. A expectativa das autoridades mato-grossenses é fechar um acordo com a Bolívia a valores que permitam uma drástica redução dos preços ao consumidor. O GNV, que já chegou a custar R$ 1,89 na bomba, teve seus preços reduzidos recentemente para R$ 1,69 e pode chegar a até R$ 1,40 nas próximas semanas. Até outubro do ano passado, o gás natural estava sendo vendido por R$ 1,59, quando o fornecimento foi suspenso e Mato Grosso ficou sem o produto por um período de 60 dias. POSTOS – Segundo proprietários dos postos revendedores, a culpa pela falta de gás em Mato Grosso é do governo do Estado. “Eles conversam, negociam, mas não resolvem nada. Estamos cansados de ouvir a mesma história”, conta o empresário Ranmed Moussa, dono do posto Metropolitano. Ele diz que o mercado “já está ruim” e pode ficar pior caso o produto volte a faltar nos postos. “O governo, o GNV, todos caem no descrédito. Acho que tem que haver uma pressão da sociedade”. Marcelino Marques, do Posto 14 Bis, em Várzea Grande, também diz ter ficado “muito chateado” com o comunicando sobre a possibilidade de voltar a faltar GNV. “Fiz um investimento muito alto na implantação do sistema e ainda tenho mais 36 prestações para pagar. Estou no prejuízo e, se faltar gás, não sei o que vou fazer”, diz. No ano passado, as revendas chegaram a articular ações contra o governo do Estado e a MT Gás, para exigir o ressarcimento dos prejuízos durante o período de paralisação do abastecimento. A ação não teve desfecho na Justiça.

Edição EDIÇÃO 16966




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