ECONOMIA
Terça-feira, 06 de Fevereiro de 2007, 20h:39
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AFTOSA
Entidades alertam sobre riscos
Representantes da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e do Fundo Emergencial de Febre Aftosa (Fefa) estiveram reunidos na segunda-feira e ontem com produtores rurais de sete municípios mato-grossenses na fronteira com a Bolívia. Zeca DÁvila e Antônio Carlos Carvalho de Sousa, presidente e secretário-executivo do Fefa, e o consultor de Pecuária da Famato, Luiz Carlos Meister, percorreram na segunda-feira os municípios de Porto Esperidião, Mirassol D'Oeste e Cáceres. Ontem, o grupo se reuniu com pecuaristas de Vila Bela da Santíssima Trindade, Pontes e Lacerda, Araputanga e São José dos Quatro Marcos. O objetivo é alertar os pecuaristas sobre os riscos que os focos de febre aftosa na Bolívia representam para o rebanho de Mato Grosso. Há 11 anos o Estado não registra nenhum foco da doença. O trânsito de animais, produtos e subprodutos oriundos da Bolívia está suspenso e, se os postos de fiscalização flagrarem alguma carga, os animais serão sacrificados. "Vamos alertar produtores e autoridades locais municipais sobre a importância da manutenção do nosso status sanitário", apontou o secretário do Fefa, Antônio Carlos Carvalho. Em relação à possibilidade de entrada de animais contrabandeados na região de fronteira, as entidades consideram um caso de Polícia. Os pecuaristas têm que estar atentos e denunciar qualquer suspeita. Famato e Fefa reforçam ainda que a etapa de vacinação contra a febre aftosa, em vigor, neste mês de fevereiro, é fundamental, pois os animais que serão vacinados agora, na faixa etária entre zero e doze meses, serão imunizados pela primeira vez. "Todo cuidado é pouco, porque esses animais estão mais suscetíveis a doenças. A vacinação é a única maneira que o produtor tem para garantir a imunidade do rebanho", disse o representante do Fefa. MOBILIZAÇÃO - Nos municípios da região de fronteira, a preocupação dos pecuaristas é grande. Os presidentes dos sindicatos rurais que mobilizaram os produtores rurais explicam que todos estão conscientes do seu papel para manter o status de Mato Grosso como livre de febre aftosa com vacinação. De acordo com Luciomar Machado Filho, presidente do Sindicato Rural de Pontes e Lacerda (442 km de Cuiabá), a preocupação dos brasileiros é maior do que a dos próprios bolivianos em relação aos focos da doença no país deles. "Nós somos mais avançados que eles. Eles não têm tecnologia e capacidade de produção como a nossa. Os bolivianos ainda produzem de forma arcaica, toca o rebanho à moda antiga", ressaltou Luciomar. Já em Mirassol DOeste (288 quilômetros de Cuiabá), a falta de informação pode ser um problema. "No município a pecuária é base da nossa economia e nossa maior preocupação é com aqueles que não têm acesso à informação", lembrou o presidente da entidade, Luiz Carlos Cezário. Em Cáceres (209 quilômetros da Capital), o ritmo de vacinação do rebanho é acelerado. O município atingiu quase 100% de imunização do rebanho no mês de novembro e aqueles que não comunicaram a vacinação ao Instituto de Defesa Agropecuária (Indea) foram visitados pelos técnicos do órgão que acompanharam o processo. O presidente do sindicato, Amarildo Merotti, destacou que o foco está a 500 quilômetros de distância e não existe nenhum interesse econômico pelo rebanho boliviano. "Graças a Deus, não há nenhum interesse econômico pelo rebanho boliviano. O gado de lá não é viável e, por isso, não há trânsito de animais da região para o Estado", assegurou Merotti. Revendedor de produtos agropecuários, o pecuarista já comercializou cerca de 30 mil doses de vacina na região nos primeiros dias da campanha.