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Cuiabá MT, Segunda-feira, 22 de Junho de 2026

ECONOMIA
Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015, 20h:30

PERSPECTIVAS

Custo alto, crédito magro

Novo ciclo tem início na soja. Novas estratégias terão de ser criadas para o equilíbrio financeiro, que estará mais difícil

MARIANNA PERES
Da Editoria
Depois de seis safras recordes consecutivas, Mato Grosso deve inverter essa tendência a partir de 2016, projetam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Incertezas com relação ao crédito, clima, aumento no custo de produção, adversidade econômica e outros fatores tornam o ano, que nem começou, um período de grandes indefinições à cultura e a todo o agronegócio. Os produtores e todo o setor deverão ter vários desafios e por isso novas estratégias são cada vez mais necessárias, bem como a cautela, já que lidar com o alto custo de produção e a escassez de recursos, ao mesmo tempo, serão os maiores desafios do segmento a partir de 1º de janeiro. Não há dúvidas de que será um dos anos mais difíceis em relação ao equilíbrio entre receita e despesa das últimas dez safras. A área atual que foi mais um recorde sobre recorde, de 9,2 milhões de hectares, deve ter o menor crescimento em oito anos, de 2,1%, refletindo os altos custos produtivos e a dificuldade de acesso ao crédito rural. Somado a isso, a queda da produtividade impactará na produção, que deve recuar para 28,03 milhões de toneladas na safra 2015/16. Enquanto a sojicultura estadual perde o ritmo, a produção mundial da oleaginosa tem perspectiva de atingir recordes nesta safra. Com a demanda mundial possivelmente crescendo em ritmo menor que a oferta, as baixas cotações externas de 2016 já refletem a expectativa de estoques mundiais altíssimos. O efeito sobre o mercado interno, no entanto, deverá ser amortecido pelo dólar elevado, caso ele se mantenha nessa tendência. Contrapondo o efeito positivo da alta do dólar sobre a receita, este pesou sobre o custo produtivo da safra 2015/16 e deve ter efeito ainda maior na safra 2016/17, com o custo total atingindo mais uma vez valor recorde, de R$ 3.347,33 por hectare plantado. RETROSPECTIVA - Mato Grosso obteve novos recordes em 2015, alguns bons, outros nem tanto. O Estado registrou mais um ano de safra recorde, com área de 9,02 milhões de hectares, possibilitando a produção de 28,08 milhões de toneladas. A maior demanda por insumos, somada à elevação do dólar, contribuiu para custos produtivos também inéditos na safra. O custo de produção total, de R$ 2.468,39/ha, apresentou aumento da participação dos insumos sobre o custo total, pesando sobre o bolso do produtor. Diferentemente de 2014, a cotação interna deu um salto no segundo semestre de 2015, saindo de R$ 52,8/sc no acumulado do primeiro semestre e indo para R$ 62,9/sc no acumulado do segundo semestre, graças à elevação do dólar. O impacto desta alta sobre o bolso do produtor não foi sentido completamente, já que 86% da safra 2014/15 estavam comercializados antes do aumento dos preços em julho. O custo produtivo elevando mais que a receita afetou a margem do produtor, e por isso se contabilizou um lucro operacional ao menor nível das últimas safras.

Edição EDIÇÃO 16967




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