ECONOMIA
Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011, 20h:39
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EXPORTAÇÕES
Crise pode afetar Mato Grosso
Em 2010, o bloco árabe foi o principal consumidor da carne bovina estadual. Retomada das vendas pode levar seis meses
MARCONDES MACIEL E MARIANNA PERES
Da Reportagem/Da Editoria
A crise políticas nos países árabes, que começou no Egito e está se alastrando por vários outros, ainda não teve impacto para as exportações de Mato Grosso, pelo menos até o saldo de janeiro já divulgado no mês passado. Mas, se a convulsão se prolongar, poderá gerar perdas para a economia do Estado, com a redução das vendas de vários produtos, especialmente carnes, soja e seus derivados, principalmente o óleo. No ano passado, Mato Grosso exportou para o bloco Oriente Médio US$ 771,62 milhões, o que gerou participação de 9,13% sobre o total de 2010, em US$ 8,45 bilhões. Comparando o intercâmbio realizado no ano passado com o contabilizado em 2009, por exemplo, houve incremento de 18%, já que no ano anterior as exportações ao bloco somaram US$ 653,32 milhões. As vendas aos países árabes estão concentradas ao Irã (Oriente Médio) e ao Egito (África), sendo este último, grande consumidor da carne bovina mato-grossense. Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), em 2010, o Irã foi o quarto maior consumidor da pauta estadual, apresentando alta de 26% sobre o ano anterior. O Egito, em 20° ampliou as compras em mais 168%. No segmento pecuário se observa ainda mais a importância dos recém conquistados mercados árabes. Segundo dados da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), em um intervalo de um ano de 2009 para 2010 a participação árabe Oriente Médio nas exportações locais de cortes bovinos passou de 18% para 33%. Com este percentual, as exportações aos países árabes superaram, pela primeira vez, o tradicional mercado russo, que até 2009 seguia como o maior comprador da carne estadual. A Rússia com participação de 34% em 2009 fechou o ano passado com 26%. A nossa preocupação é com o tamanho desta crise. Se ela se expandir, provavelmente teremos perdas e impacto no saldo da balança comercial, disse o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja/MT), Glauber Silveira. Segundo ele, os produtores, têm feito diversas missões ao Oriente Médio, visando à abertura de novos mercados para a soja mato-grossense. A crise vem na contramão deste projeto e se continuar por muito tempo pode prejudicar. Jandir Milan, presidente da Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Fiemt), também vê a crise com preocupação. O Irã é nosso grande comprador e também está entrando em crise, após o Egito. A situação realmente poderá se complicar para Mato Grosso, disse ele. Por enquanto, segundo Milan, Mato Grosso não está sentindo os reflexos da crise. Provavelmente, se a situação não mudar, começaremos a sentir o impacto dentro de 30 a 60 dias. Se contarmos ainda que a retomada das vendas demanda mais um tempo até a situação se ajustar. Levaremos em torno de seis meses para que a conjuntura seja normalizada. JANEIRO - As exportações mato-grossenses de milho, por exemplo, em janeiro deste ano, representaram 75% do total do país, que foi de 1 milhão de toneladas. Conforme o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) foram exportadas por Mato Grosso 771 mil toneladas do grão. O país de destino em destaque foi a Malásia, com 104 mil toneladas, 14% da exportação do mês. A República Islâmica do Irã ficou em segunda posição com 97 mil toneladas, ou, cerca de 13% do total.