ECONOMIA
Sexta-feira, 07 de Novembro de 2008, 20h:12
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ÁLCOOL
Crise mundial reduz preço
Escassez de crédito descapitalizou sucroalcooleiros, que reduzem preços para fazer capital e pagar salários
MARIANNA PERES
Da Editoria
Se a crise financeira mundial tem algum ponto positivo ao consumidor, pelo menos de maneira instantânea, a boa notícia se apresenta de maneira concreta sobre o álcool e a gasolina. Desta vez, a temporada de queima, principalmente do álcool hidratado, foi iniciada pelos usineiros, que, sem capital de giro para honrar compromissos de começo do mês, baixaram o preço do litro na indústria e forçaram uma queda generalizada até a bomba. A crise, que arrefeceu os ânimos dos investidores e deixou escassa a oferta de crédito no mercado, também afetou os sucroalcooleiros. Sem crédito para capital de giro, os usineiros tiveram de reduzir os preços do litro de R$ 0,76 para R$ 0,68 (-10%) antes do final de outubro, para fazer caixa e honrar uma folha de pagamento de R$ 40 milhões. São 17 mil trabalhadores, explica o superintendente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras do Estado (Sindálcool), Jorge dos Santos. Ele frisa que todo o segmento agropecuário se encontra descapitalizado. Então, para honrar compromissos, vendemos a produção a qualquer preço. Há pouco mais de duas semanas, o litro do álcool hidratado vem apresentando seguidas reduções no valor de bomba. Na última delas, constatada pelo Diário na quinta-feira (6), quando os preços chegaram a R$ 1,10, a queda foi de quase 8% de um dia para o outro. Ampliando a comparação, a oscilação negativa mas positiva para o consumidor nos últimos 30 dias é de R$ 0,49 por litro, ou de 30,08%. O superintendente conta que uma antiga praxe de mercado está interrompida neste momento de crise: o desconto de duplicatas. Essas ordens de pagamento com vencimento para 15 ou 30 dias eram trocadas com os bancos, mediante alguns descontos no valor a receber. Agora, os bancos não estão trocando e isso afetou o giro de capital das usinas, principalmente por reduzir fluxos às vésperas do pagamento do pessoal. Questionado sobre a freqüência com que as usinas mato-grossenses são onze em atividade - ainda estarão queimando a produção, Jorge prefere não arriscar previsões, mas avisa que a indústria está estocada e as promoções são feitas dentro de uma margem de segurança, sem, segundo ele, colocar em risco os estoques de passagem, ou seja, o álcool que vai abastecer o mercado durante o período de entressafra, até por volta de meados de abril, quando a maior parte das usinas retoma a moagem da cana-de-açúcar. Por conta da logística que não nos permite competitividade para escoar a produção é que a baixa da usina está chegando ao consumidor. Se há algum ponto positivo nisso é que, de fato, o consumidor está tirando proveito, observa. GASOLINA - A baixa nos preços do hidratado também seguem ao álcool anidro, aquele que é adicionado à gasolina e por isso, força a queda do derivado de petróleo. O Diário encontrou valor de bomba de R$ 2,37, na promoção do posto São Paulo, localizado entre as avenidas Fernando Corrêa da Costa e Coronel Escolástico, em Cuiabá. Na noite da última quinta-feira, a baixa de preços fez com que os motoristas exercessem a paciência enfrentando uma extensa fila. Em geral, a nova baixa da gasolina iniciada no último dia 6 estampou novos valores para o litro: R4 2,37, R$ 2,45 e R$ 2,48. Comparando a baixa com o maior e o menor preço em vigor em 30 dias, quando o combustível havia sido elevado para R$ 2,79 e o novo piso de R$ 2,37, a economia chega a R$ 0,42, ou, 15,05%, metade do percentual contabilizado para o hidratado na Capital. AÇÕES O superintendente informou que no dia 6 o segmento estadual se uniu aos representantes de outros estados em Brasília, para traçar estratégias para nova safra (2009) e mostrar às autoridades federais a realidade e necessidade dos sucroalcooleiros. Sem dinheiro ninguém planta e a nossa preocupação é em relação ao próximo plantio. Se não cultivarmos a cana em 2009, em 2010 não haverá o que colher. Precisamos de soluções para manter a atividade no curto e médio prazos. No encontro foi criada uma comissão emergencial do segmento que agrega representantes dos usineiros, Ministério de Minas e Energia, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e do Ministério da Agricultura, para num prazo de 15 a 20 dias encontrar uma solução que assegure o plantio e a safra de 2010. Entre as alternativas para se ofertar dinheiro ao custeio dos canaviais uma delas seria a negociação de contratos futuros na Bolsa de Mercadorias e Serviços (BM&F), como sugeriu o segmento, durante o encontro em Brasília.