ECONOMIA
Sábado, 09 de Junho de 2007, 13h:49
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MOVELEIROS - I
Crescendo em plena crise
Depois de apostar na atividade em um momento ruim,
setor tem 60% da produção voltada ao mercado local
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O setor moveleiro estadual foi talvez o que melhor se comportou nos últimos anos. Em plena crise do agronegócio, quando o comércio e a agropecuária se ressentiram fortemente da queda na produção, a indústria de móveis teve uma reação surpreendente. Os números do setor mostram que os fabricantes de móveis continuaram sua trajetória de crescimento mesmo com os desacertos da política econômica como juros elevados e desvalorização do dólar - e a queda dos preços das commodities. No ano passado, as vendas aumentaram 18% e, para este ano, está previsto um crescimento de 10% sobre as vendas de 2006. O setor apostou na crise, investiu em tecnologia e agora colhe os frutos da perseverança, diz o empresário Ayres dos Santos, que começou com uma pequena loja de estofados produzindo apenas um conjunto por semana e hoje produz 50 conjuntos por dia. No mercado há apenas sete anos, Ayres já produz móveis em série e, além de sofás, fabrica também peças em alumínio e estofados de silicone, uma das novidades no mercado local. O empresário vende seus produtos na Grande Cuiabá e outros municípios do interior, além de atender mercados emergentes como Rondônia, Acre e Mato Grosso do Sul. Ayres conta que o setor moveleiro foi o que melhor respondeu a este cenário de crises. Alguns ficaram desanimados, mas a maioria acreditou que este seria o momento propício para o crescimento. Apesar do bom momento vivido pelo setor, as indústrias ainda possuem alguns entraves que precisam ser resolvidos. No nosso caso [indústria moveleira] o principal gargalo é a logística de transporte, devido à distância de Mato Grosso em relação aos grandes centros consumidores e ao alto preço do frete para chegar até a essas regiões, relata. Ele diz que uma das vantagens das indústrias é que 60% da produção são comercializadas no mercado local e apenas 40% vão para outras regiões. Se dependêssemos exclusivamente de outros mercados, estaríamos perdidos. A expectativa, de acordo com Ayres dos Santos, é ampliar a participação da indústria local para 70% no segmento de móveis num período de cinco anos. COMPETITIVIDADE Com cerca de 400 indústrias instaladas na Grande Cuiabá, o setor emprega atualmente cinco mil pessoas. A boa performance da indústria moveleira se deve principalmente aos investimentos em tecnologia e mão-de-obra, que garantem produtos de qualidade comparáveis às grandes marcas nacionais. Não devemos nada a ninguém em termos de qualidade, assegura Ayres, apontando que os móveis produzidos no Estado chegam a ser superiores até aos do Centro-Sul. Aqui se usa o MDF, laminado bem superior ao que se utiliza no Sul, os aglomerados, exemplifica. Segundo o empresário, a ótima aceitação dos produtos regionais está levando ao crescimento das vendas. Hoje se produz muito pouco sob encomenda. A nossa grande produção mesmo é de móveis em série, em larga escala para atender às lojas da região. Até mesmo as lojas chiques de Cuiabá e Várzea Grande compram das indústrias locais para revender os produtos, comenta. As grandes redes de departamento respondem atualmente por 50% das vendas de móveis na Grande Cuiabá. Temos lojas grandes, como Novo Mundo, Facilar (antiga GR Eletro) e Mundo dos Colchões trabalhando com produtos regionais. Isso mostra que a tendência é ocuparmos uma fatia maior deste mercado nos próximos anos. Por enquanto, as indústrias estão com suas produções voltadas para atender principalmente as classes A e B. Mas não perdemos de vista outras classes, até mesmo as de renda mais baixa. O objetivo é produzir móveis variados que concorram de igual para igual com produtos de outras regiões, garante o empresário. (Veja na página C2)