ECONOMIA
Segunda-feira, 20 de Outubro de 2014, 20h:49
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SAFRA
Cotações podem reverter
Supersafra nos EUA vem pressionando commodities, mas o clima pode favorecer preços antes de 2015
MARIANNA PERES
Da Editoria
A projeção de escassez de soja em janeiro de 2015 e de milho no decorrer do próximo ano pode e já está de maneira tímida, influenciando nas ofertas recebidas pelos produtores mato-grossenses. O fundamento que descola da grande pressão que a supersafra norte-americana vem exercendo desde julho sobre os preços no mercado internacional é o clima que vai reduzir os volumes de soja em janeiro, durante ainda a entressafra brasileira do grão, bem como uma produção menor de milho na safrinha. Há relatos de ganhos de até R$ 9 nos últimos 15 dias para saca de soja no norte do Estado e o milho vai deixando a casa dos R$ 12 e pode chegar, antes da virada do ano, a R$ 20, conforme projeções do segmento produtivo. De acordo com a AgRural, a onda de tempo seco e muito quente que predomina na maior parte do Centro-Sul do Brasil continua dificultando, e em alguns casos até impedindo, o avanço do plantio da safra 2014/15 de soja. Em mais um levantamento, divulgado no último dia 17, a consultoria mostra que apenas 10% da área brasileira estava semeada, contra 19% no ano passado e 20% na média de cinco anos. É o índice mais baixo desde 2008/09. Em uma semana, o avanço foi de apenas 3 pontos percentuais. Em Mato Grosso, a semeadura passou de 8% para 11% em uma semana. Há um ano, 30% da área estava semeada. Esse atraso na semeadura causa outros dois problemas, como frisa a analista da AgRural, Daniele Siqueira. Como explica, a demora na semeadura causa o estreitamento da janela de plantio da safrinha e o consequente aumento de seu risco climático, que já têm resultado em melhora das cotações e do volume de negócios no mercado brasileiro de milho. O outro é o alongamento da entressafra da soja, já que praticamente não haverá áreas prontas para colher em janeiro, mês em que o produtor que tem soja recém-colhida costuma conseguir preços acima da média devido à oferta ainda escassa do produto. Esse cenário atinge em cheio Mato Grosso, que é o maior produtor de grãos do país, pois é o primeiro a plantar soja e inicia a colheita logo depois do Natal, portanto, sendo o primeiro a colocar no mercado a nova safra. Cálculos da AgRural apontam que Mato Grosso deve terminar janeiro com cerca de 5% de sua área colhida, bem abaixo dos 14% da média de cinco anos. Como também há atraso em outros estados, o Brasil encerraria o mês com cerca de 2% de sua área colhida, contra 6% na média de cinco anos. O levantamento confirma que há relatos de necessidade de replantio em diversas regiões, mas os produtores dizem que só saberão o tamanho da área a replantar quando as chuvas retornarem, o que deve acontecer de forma mais regular somente na última semana de outubro. O que será um peso extra do replantio no bolso do produtor, cujas margens já estão apertadas devido à queda dos preços da soja, que segue na casa dos US$ 9/bushel, o menor valor dos últimos quatros anos. Na contramão, o preço médio do hectare plantado nessa safra, em Mato Grosso, é de R$ 2,40 mil, o maior da história local e quase 6% maior do que o contabilizado no ano passado. BRASIL Ainda conforme a AgRural, a estiagem cobre todos os grandes estados produtores de soja, como: Mato Grosso do Sul, que plantou 10% da área, ante 9% na semana passada e 30% em 2013, Goiás, com apenas 3% da área está semeada, contra 7% em 2013 e 17% na média de cinco anos e o Paraná, com 33% da área plantada, atrás dos 40% de 2013, mas em linha com os 32% da média de cinco anos.