ECONOMIA
Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012, 19h:22
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JANEIRO
Contas do governo têm superávit de R$ 20 bi
Secretário do Tesouro prevê retomada do nível de investimentos em 2012
A economia do governo central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) para pagar os juros da dívida pública cresceu 46,5% em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O superávit nas contas do governo foi de R$ 20,8 bilhões. A meta para este ano é economizar R$ 96,97 bilhões. Esse resultado foi alcançado por conta de um aumento na arrecadação de tributos pelo governo federal em janeiro, que cresceu 12,7% em relação a janeiro de 2011, somando R$ 102,4 bilhões. Por outro lado, as despesas cresceram menos, chegando a R$ 66,01 bilhões, aumento de 8%. O aumento na arrecadação ocorreu principalmente porque algumas empresas anteciparam o pagamento de IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) que só venceria em março, evitando, assim, pagar a correção da taxa Selic que incide mensalmente sobre o valor devido. Superávit primário é o quanto de receita o governo consegue economizar, após o pagamento de suas despesas, sem considerar os gastos com os juros da dívida. Como o governo precisa reduzir a proporção da dívida pública em relação ao PIB (Produto Interno Bruto), essa economia de receitas tem sido usada para pagar os juros desses débitos de modo a impedir seu maior crescimento e sinalizar ao mercado que haverá recursos suficientes para honrá-los no futuro. Nos últimos anos, o governo brasileiro tem mantido uma política de superávits altos quando comparados aos resultados obtidos pela maioria dos outros países. Em 2011, o superávit brasileiro foi de 2,26% do PIB (Produto Interno Bruto), acima dos 2,09% de 2010. Para 2012, a meta é economizar R$ 96,97 bilhões. Em 2011, o superávit primário foi de R$ 93,51 bilhões, ultrapassando a meta para o ano, que era de R$ 91,8 bilhões. Em 2010, somou R$ 78,77 bilhões. INVESTIMENTOS O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse ontem que o superávit primário das contas do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) em janeiro, de R$ 20,8 bilhões, é o maior para o mês. Considerando a série de todos os meses, perdeu apenas para setembro de 2010, que registrou R$ 26 bilhões de superávit devido ao processo de capitalização da Petrobras, que gerou receita de R$ 31,9 bilhões. Ele prevê que a queda no volume de investimentos do governo federal em janeiro não vai se manter ao longo do ano. Na comparação com o mesmo mês de 2011, os recursos para investimentos caíram de R$ 7,9 bilhões para R$ 6,5 bilhões (-17,4%). Ele atribuiu o ritmo menor ao estágio ainda inicial da segunda etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). Nós achamos que ao longo do ano isso reverte e vamos poder ter um crescimento dos investimentos. É normal, quando se tem uma nova série de investimentos, como é o caso do PAC 2, que ele demore um pouco para poder ter o pagamento. Entre fazer uma licitação, iniciar uma obra e ter todas as licenças ambientais leva um tempo. Só depois começa o pagamento. Foi assim no PAC 1 e vai ser assim no PAC 2, disse Augustin. O secretário do Tesouro Nacional disse que 2012 é um ano de recuperação do antigo patamar de investimentos de antes da crise financeira internacional e que os investimentos públicos contribuirão para isso. Em relação à inflação, Augustin avaliou que o conjunto de preços segue uma tendência positiva para o ano.