ECONOMIA
Sexta-feira, 01 de Agosto de 2008, 20h:37
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INFLAÇÃO
Consumidor tem de ampliar carga horária para comprar alimentos
Valor da cesta básica subiu no mês de julho em 14 das 16 capitais pesquisadas pelo Dieese
A inflação continua a não dar tréguas, principalmente para as famílias com menor poder aquisitivo. Em julho, o preço da cesta de alimentos de primeira necessidade subiu em 14 do total de 16 capitais do País nas quais o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) realiza a sua tomada de preços para apurar o valor médio da cesta básica. Do ano passado até julho, o aumento da inflação forçou, em tese, fez o trabalhador ampliar a sua carga horária de trabalho em 25 horas para conseguir comprar uma cesta básica. Na média das 16 cidades, a compra da cesta básica no mês passado consumiu 117 horas e 08 minutos de trabalho. Para adquirir os mesmos bens em junho, a carga horária média necessária era de 115 horas e 25 minutos. Na comparação com julho do ano passado, o trabalhador gastava 92 horas e 37 minutos para levar para a sua casa a mesma quantidade de alimentos. A inflação só não foi impiedosa no mês passado com os consumidores de baixa renda das cidades de Goiânia e Recife, que, pela ordem, viram os valores da cesta básica despencar 3,55% e 1,74%, para R$ 204,22 e R$ 197,35. Os moradores de Natal, Florianópolis e João Pessoa viram o preço da cesta básica ser reajustado no mês passado, mas a taxas relativamente baixas. Na capital catarinense, a cesta de produtos básico sofreu um reajuste no seu preço de 0,16%. Em Natal, a alta foi de 0,11% e em João Pessoa, de 0,24%. Pior sorte tive os consumidores de Curitiba (7,35%), Salvador (5,45%) e Porto Alegre (5,09%). Estas três capitais encabeçaram, segundo os técnicos do Dieese, a lista das maiores altas de preços no mês passado. Na pesquisa do Dieese em junho, a inflação atingiu igual número de 14 capitais. Na ocasião, duas únicas cidades em que os preços passaram por um processo de deflação foram Vitória (1,13%) e Fortaleza (0,35%). Na lista das maiores altas, estava Goiânia, que agora mostrou queda, com uma alta de 10,64%, Brasília (6,43%), Rio de Janeiro (5,93%) e Salvador (5,38%), completaram no mês passado a lista das cidades em que se registrou os maiores aumentos no preço da ração mínima essencial. TRI CARA - Porto Alegre teve em julho, pelo terceiro mês consecutivo, a cesta de alimentos básicos mais cara do País: R$ 259,29. O valor é 5,09% superior aos R$ 246,72 que os gaúchos gastaram no supermercado em junho, que já tinha superado em 4,29% o preço de maio. As três praças que apresentaram os segundo, terceiro e quarto maiores preços para uma cesta básica em julho foram São Paulo, onde a compra da cesta de alimentos de primeira necessidade tirou do bolso do consumidor R$ 252,13, João Pessoa (R$ 194,90) e Salvador (R$ 195,65). Com base no preço da cesta básica de Porto Alegre, a mais cara do país, o salário mínimo ideal para uma família de quatro pessoas - dois adultos e duas crianças - atender a todas suas necessidades básicas teria de ser de R$ 2.178,30 em julho. O valor do salário mínimo ideal a que chegaram os economistas do Dieese é 5,25 vezes o piso salarial em vigor, de R$ 415. No cálculo feito pelo Dieese, são consideradas as necessidades de recursos que uma família de quatro pessoas precisa para suprir as despesas básicas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência. Em junho, o mínimo necessário para atender a todas estas despesas equivalia a R$ 2.072,70, ou seja, 4,99 vezes o piso vigente. Em julho do ano passado, o piso considerado ideal para uma família de quatro pessoas era de R$ 1.688,35, ou 4,44 vezes superior ao piso vigente à época, que era de R$ 380.