ECONOMIA
Sexta-feira, 14 de Setembro de 2012, 21h:19
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FÓRUM SOJA BRASIL
Cautela será o maior investimento
Especialistas em mercado agrícola e produtores rurais defendem que o bom momento vivido pelo agronegócio brasileiro, em função dos altos preços da soja, deve culminar na busca pelo equilíbrio da cadeia produtiva para que ninguém seja prejudicado. O período exige cautela e amadurecimento dos produtores rurais para aproveitarem os bons preços e se capitalizar, como destacou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Glauber Silveira. O pedido de cautela foi unânime durante o Fórum Soja Brasil realizado na última quinta-feira, em São Gabriel do Oeste, no Mato Grosso do Sul. Devemos buscar a capitalização, fazer investimentos e não achar que a soja e o milho permanecerão nesses bons altos por muito tempo. Nos Estados Unidos eles buscam capitalização e, por isso, conseguem se manter bem mesmo em meio a uma crise. No Brasil não temos logística adequada, temos o frete mais caro do mundo, e não temos produtor capitalizado, ou seja, quando vem essa boa fase é hora de planejar e não de se endividar, afirmou o presidente da Aprosoja Brasil durante sua fala no Fórum Soja Brasil. Com o tema Riscos e consequências do mercado em alta, o Fórum, que faz parte do Projeto Soja Brasil realizado pela Aprosoja Brasil e o Canal Rural, reuniu mais de 200 pessoas e serviu para avaliar o cenário e fazer projeções. De acordo com o analista da Safras&Mercados, Flávio França, o planejamento das safras futuras deve ser feito agora, e de forma nenhuma cair no endividamento. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Eduardo Riedel, o dinamismo do mercado coloca o produtor em alerta. Ele lembra que agora o setor está mais atento e amadurecido, após crises vivenciadas, como a enfrentada após um boom ocorrido em 2004. O cenário pode se consolidar ou não. Em 2004 vivemos uma euforia e depois desabou, desde então a conjuntura mudou. No momento não temos mais o perfil aventureiro, o nível de conscientização aumentou muito e é preciso que se mantenha. Os produtores aprenderam a perceber de maneira mais cautelosa o mercado. Vejo que temos várias maneiras de aproveitar a valorização das commodities, principalmente com investimentos, defendeu o presidente da Famasul. A cautela foi compartilhada pelo presidente da Aprosoja Brasil que lembrou que países sul-americanos como Argentina, Uruguai e Paraguai estão aumentando área. Ainda não sabemos o impacto disso para o Brasil, por isso a euforia não é o melhor caminho. Jornalista especializado na cobertura do agronegócio, Venilson Ferreira, observou que a cautela está evidente nos produtores brasileiros. Se formos pensar no início dos anos 2000 quando víamos o surgimento do rei da soja, aquelas montanhas de milho, há uma mudança muito grande, o produtor agora está muito consciente e isso é bom, pois o risco de quebra é menor. Porém, é preciso manter esse perfil, analisou Ferreira. MERCADO - As projeções são otimistas, principalmente quando os olhos se voltam ao maior importador mundial do grão, a China. Para o gerente executivo da Chinatex, Liones Severo, também painelista do Fórum, o mercado chinês continuará sendo o maior importador do produto brasileiro. Segundo dados repassados por ele, a China importa 60% da soja mundial, sendo que desse montante 25% corresponde ao produto brasileiro e 60% disso vem do Estado líder na produção de soja, Mato Grosso. E não há expectativa de que haja redução, o mercado continuará aquecido, porém, a Ásia e a Europa, além dos Estados Unidos mesmo com a quebra de safra, são grandes produtores, alertou Severo.