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ECONOMIA
Quarta-feira, 18 de Março de 2009, 20h:46

FRIGORÍFICOS

Boi e venda à vista

Acrimat e Associação dos Produtores Rurais dizem que há vendas à prazo; sindicatos rurais afirmam o contráro

MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, disse ontem que a crise dos frigoríficos em Mato Grosso está levando a uma situação de insegurança junto aos pecuaristas. “Estamos recomendando que os pecuaristas vendas lotes pequenos, e de preferência à vista”. Mas, segundo ele, a venda com 30 dias é “padrão” em Mato Grosso. “A maioria dos negócios continua sendo feita a prazo, como historicamente foi”. Vacari afirmou também que a insegurança dos pecuaristas é apenas em relação aos frigoríficos que estão em fase de recuperação judicial. “O importante é que não está havendo calote por parte dos frigoríficos que estão comprando. Aqueles que estão fazendo negócios estão pagando e honrando seus contratos”. O diretor executivo da Associação dos Produtores Rurais de Mato Grosso (APR), Paulo Resende, confirma que “não existe frigorífico em Mato Grosso comprando à vista. Todas as vendas são realizadas para recebimento em 30 dias”. Segundo ele, dos frigoríficos que estão operando - como a Sadia, Friboi, Perdigão, Pantanal e Mata-boi – “todos trabalham com 30 dias e vêm honrando os compromissos”. O presidente da Associação dos Criadores de Nelore (ACN/MT), José João Bernardes, também diz que a base dos negócios é a prazo. Em Mato Grosso, 13 plantas frigoríficas encontram-se desativadas, sendo cinco do Grupo Independência, cinco do grupo Arantes e quatro do Quatro Marcos, representando sete mil abates a menos por dia em Mato Grosso. O setor, que chegou a gerar 24 mil empregos diretos em 2008, hoje conta com apenas 15 mil funcionários ativos. ATENTADO - A crise no setor frigorífico de Mato Grosso – mais precisamente a desativação da planta do Frigorífico Quatro Marcos, em Vila Rica (1.250 Km a Nordeste de Cuiabá), na divisa com o Pará - pode ter sido a principal causa do atentado à bala contra o diretor de Vendas da empresa, Anísio Vilela Neto, atingido por seis disparos à porta da sua casa, no bairro Inconfidente. O atentado ocorreu na terça-feira, por volta das 20 horas, quando Anísio Vilela chegava à residência. “A informação que temos é de que os disparos foram feitos por dois rapazes que estavam em uma moto vermelha e fugiram logo após a tentativa de homicídio”, explicou o delegado de Polícia Civil de Vila Rica, Vitor Chab Domingues. Vilela teria sido levado para outra cidade, mas não corria risco de morte. O delegado informou que há alguns dias o diretor do frigorífico já vinha sofrendo ameaças de pessoas ligadas aos credores (pecuaristas) da empresa. “Por isso estamos trabalhando com a hipótese de encomenda do crime”, frisou o delegado, que espera elucidar o caso até o final desta semana. “Se realmente foi algum pecuarista que mandou fazer isso logo chegaremos ao culpado”. Ele não sou informar o número de credores do Quatro Marcos em Vila Rica, nem o montante das dívidas com os pecuaristas da região. O Frigorífico Quatro Marcos é um dos grupos que formalizou pedido de recuperação judicial em Mato Grosso para enfrentar a crise financeira. O diretor operacional do Frigorífico Quatro Marcos, Moisés Gomes, informou recentemente que o frigorífico está inicialmente cuidando da questão jurídica para depois captar recursos junto ao mercado financeiro para a quitação das dívidas com os pecuaristas. O grupo está realizando levantamento para detectar o montante dos débitos, mas não há um prazo para efetuar os pagamentos. Fontes revelam que é grande o descontentamento entre pecuaristas credores dos grupo frigoríficos que fecharam as portas em Mato Grosso.

Edição EDIÇÃO 16967




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