ECONOMIA
Quinta-feira, 19 de Março de 2009, 21h:21
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AJUDA
BNDES estuda medidas para frigoríficos
Presidente do BNDES não quis falar sobre nenhuma companhia especificamente, mas admitiu que o banco pode apoiar uma empresa do setor a comprar outra
ADRIANA CHIARINI, IRANY TEREZA e ALEXANDRE INACIO
Da Agência Estado Rio
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está estudando tomar alguma medida relacionada a suas linha de capital de giro para o setor de frigoríficos, informou ontem o presidente da instituição, Luciano Coutinho. "Estamos analisando a pertinência de alguma medida setorial", disse. Ele acrescentou que não há nada definido ainda. Segundo o presidente, não há nenhum problema sistêmico no setor de frigoríficos, "só pontuais". Coutinho não quis falar sobre nenhuma companhia especificamente, mas, admitiu que o banco pode apoiar uma empresa do setor a comprar outra. "Sempre que uma reestruturação empresarial cria valor, resolve problemas, o banco pode apoiar", declarou. Ele informou que não recebeu nenhum pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os frigoríficos. Questionado se alguma medida pode ser anunciada já no mês que vem, Coutinho respondeu que "pode ser". COMPRA DE ATIVOS Acionista dos principais frigoríficos de carne bovina do País, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já recebeu sondagens de empresas interessadas numa eventual compra de ativos do Frigorífico Independência, que entrou, no início do mês, com pedido de recuperação judicial. Segundo uma fonte do banco, não está em estudos na área técnica nenhum pacote de auxílio ao setor - prejudicado pela crise global, com a drástica redução de exportações -, mas o BNDES poderá participar como financiador de compras de ativos, num movimento natural de reestruturação. Oficialmente, o banco informa, por meio de sua assessoria, que não se pronuncia a respeito do assunto. O apoio aos frigoríficos teria sido sugerido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas não há nenhuma medida concreta em análise. O BNDES, por meio de sua empresa de participações, o BNDESPar, detém parcela do capital dos frigoríficos Bertin (26%), Marfrig (14,66%), JBS-Friboi (13%) e do próprio Independência (cerca de 13%). Os quatro estão no topo do ranking nacional de abate e venda de carne bovina. A participação do banco funcionou, inclusive, como uma espécie de blindagem em época de crise. De acordo com a fonte do BNDES, uma determinação é clara: para o Independência não há, pelo menos por enquanto, qualquer possibilidade de analisar novos empréstimos. Quando veio à tona a situação financeira crítica da empresa, há dois meses, o banco preparava a liberação da segunda parcela de um financiamento de R$ 450 milhões destinado aos investimentos do Independência. O primeiro aporte, de R$ 200 milhões, havia sido feito em novembro do ano passado.