ECONOMIA
Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008, 20h:58
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ÁLCOOL
Alta ao consumidor não saiu da indústria, diz Sindálcool
Preço do hidratado nas bombas de Cuiabá e Várzea Grande varia de R$ 1,29 a R$ 1,69
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem
O superintendente do Sindicato das Indústrias Sucroalcooleiras de Mato Grosso (Sindálcool), Jorge dos Santos, disse ontem não ver motivos para a alta nos preços do álcool na última semana, na Grande Cuiabá. Segundo ele, na indústria os preços se mantêm praticamente inalterados em R$ 0,75/litro desde o começo do mês. Estamos vendo os preços oscilarem na bomba, mas não existe razão para isso, pois os usineiros não mexeram nos preços. Alguém deve estar ganhando com isso. Santos informou que na época em que o álcool estava sendo vendido nos postos a R$ 1,05, o preço aos usineiros era de R$ 0,69. Em um intervalo de 60 dias, os preços nas usinas aumentaram para R$ 0,75 (alta de 8,69%), enquanto o litro de álcool saltou para R$ 1,45 (preço médio atual), reajuste de 38,09%. Nos postos revendedores de Cuiabá, os preços oscilavam ontem entre R$ 1,28 a R$ 1,49. A grande maioria, entretanto, praticava preços de R$ 1,45 na bomba. Porém, há postos em que o litro do hidratado chega a R$ 1,69. As explicações para a alta são várias. Enquanto uns afirmam que é para corrigir a defasagem nos preços, outros alegam que estão apenas repassando o reajuste praticado pelas distribuidoras. O Posto Metropolitano, na região do Coxipó, se enquadra nesta situação. O proprietário da revenda bandeirada pela Ipiranga, Ranmed Leite Moussa, diz que só repassa os preços. Não inventamos a alta. Mas temos que repassar o aumento para segurar os custos. Moussa disse ter informação de que ontem ocorreria um novo aumento na bomba. Estamos aguardando se confirma [o novo reajuste], disse. No Metropolitano, o litro do álcool estava sendo vendido ontem pela manhã por R$ 1,46. Em outro posto o Santa Elisa, no cruzamento das Avenidas Miguel Sutil e General Mello o álcool estava sendo vendido a R$ 1,45. Estamos acompanhando o mercado, explica o gerente Ronaldo Aparecido Silva, acrescentando que as últimas altas foram para corrigir os preços. Na verdade, estávamos trabalhando com preços muito baixos, fora da realidade. Agora, tivemos que corrigir esta distorção. Segundo Ronaldo Silva, não se trata de nenhum realinhamento, mas de trabalhar com preços que viabilizem a empresa. Do jeito que estava, ninguém ia se manter. É uma questão de sobrevivência, mesmo. ESPECULAÇÃO - Os proprietários dos postos não acreditam que a alta tenha alguma relação com um possível aumento das vendas neste período de campanha eleitoral. O impacto é inexpressivo e não justifica essa tomada de decisão, garante o dono do Metropolitano, Rahmed Moussa. Para o gerente Jair Soares Almeida, as eleições não têm peso no montante das vendas de combustíveis. Representa muito pouco no contexto geral. Alguns postos, isoladamente, faturam mais porque fazem convênios com comitês dos candidatos. Mas não acredito que a campanha tenha impacto no mercado, avalia. USINAS Enquanto as distribuidoras e postos promovem o realinhamento dos preços do álcool hidratado, O Sindálcool aponta defasagem nos valos pagos aos usineiros. O preço ideal, segundo o superintendente Jorge dos Santos, seria de R$ 1,80 na bomba para a indústria ser remunerada adequadamente. Ele garantiu que os estoques estão normais, a indústria está trabalhando em plena carga e, por isso, não há razão nenhuma para que alguém possa manipular os preços inadvertidamente.