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Colunistas
Sábado, 24 de Agosto de 2002, 13h:17

FEDERAÇÃO ESPÍRITA

Há 50 anos atrás Gandhi conquistava a Independência da Índia, e a mensagem de vida do Mahatma Gandhi, acerca da não-violência, é mais atual do que nunca, nestes dias conturbados, difíceis e violentos

Mas quem foi Mahatma Gandhi? Qual a sua proposta de vida da não-violência, já que libertou 700 milhões de pessoas (em 1947) sem o derramamento de uma só gota de sangue da sua parte? Vamos conhecer um pouco mais deste Apóstolo da religiosidade indiana e mundial, começando pela sua desencarnação, continuando com a análise da sua proposta da não-violência para o mundo todo e tecendo ao final algumas considerações sobre Nosso Senhor Jesus, acerca de Gandhi e da Doutrina Espírita. A MORTE DE GANDHI - Ao mesmo tempo em que aconteceu a Independência da Índia, este país foi dividido em dois Estados: a União Indiana (hindu), e o Paquistão (muçulmano), uma «vivissecção» que Gandhi considerou inaceitável. Dedicou-se, então, o Mahatma, a reconciliar as duas comunidades, mas este fato provocou o ódio de ambas as partes, até que aconteceu um fato muito lamentável para aquele país e para o mundo. Era o dia 30 de janeiro de 1948. Mohandas Karamchand Gandhi tinha 78 anos. Quando se dispunha para orar junto a 500 pessoas, foi assassinado brutalmente com vários tiros de revólver por Nathuran Vinayak Godse, um hindu fanático que nunca aceitou seus sentimentos fraternos para com os muçulmanos. Suas últimas palavras foram: He Rama! (Oh, meu Deus!) O MAHATMA E A NÃO-VIOLÊNCIA - Analisando a Vida e a Obra do Mahatma (denominação que significa Alma Grande, dada a Gandhi por um dos maiores poetas e escritores da Índia: Rabindranath Tagore, contemporâneo seu e Prêmio Nobel de Literatura em 1913), percebemos que toda ela tem uma coerência formidável, entre o que disse e o que fez, fato muito difícil de encontrarmos na vida de um homem dos nossos dias. Notemos o que disse outrora o líder pacifista indiano: «A força de um homem e de um povo está na não-violência; experimentem». (Os grifos são nosssos.) E as suas idéias e sua conduta (discurso e ação) liberaram a mais de 700 milhões de indianos e muçulmanos do jugo, da opressão e domínio do império inglês, sem o derramamento de uma só gota de sangue da sua parte. Mas o que é a não-violência? Em que consiste a sua prática? Nas seguintes palavras textuais de Gandhi entenderemos melhor qual é a essência do pensamento-ação da não-violência: «O que quer que façam conosco, não iremos atacar ninguém nem matar ninguém; estou pedindo que vocês lutem, que lutem contra o ódio deles (do governo inglês), não para provocá-lo. Nós não vamos desferir socos, mas tolerá-los, e através do nosso sofrimento faremos com que vejam suas próprias injustiças e isso irá ferí-los, como todas as lutas ferem, mas não podemos perder, não podemos... Eles poderão torturar meu corpo, quebrar meus ossos, até me matar, então terão meu corpo inerte, mas não a minha obediência». JESUS, GANDHI E O ESPIRITISMO - Estas significativas palavras-atos nos fazem lembrar as sábias palavras do Nosso Senhor e Mestre Jesus há quase dois mil anos: «Vós tendes ouvido o que se disse: Olho por olho e dente por dente. Eu, porém, digo-vos que não resistais ao mal; mas se alguém te ferir na tua face direita, oferece-lhe também a outra» (Evangelho de Mateus, cap. 5: vv. 38 e 39). Estes eternos ensinamentos do Cristo foram interpretados em espírito e verdade pelo ínclito Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, quando esclarece: «Por essas palavras Jesus não proibiu a defesa, mas condenou a vingança. Dizendo-nos para oferecer uma face quando formos batidos na outra, disse, por outras palavras, que não devemos retribuir o mal com o mal; que é mais glorioso para ele ser ferido que ferir, suportar pacientemente uma injustiça que cometê-la; que mais vale ser enganado que enganar, ser arruinado que arruinar os outros. A fé na vida futura e na justiça de Deus, que jamais deixa o mal impune, é a única que nos pode dar a força de suportar pacientemente os atentados aos nossos interesses e ao nosso amor-próprio». (In «O Evangelho segundo o Espiritismo», cap. XII: Amai os vossos inimigos.) (Os grifos são de A. Kardec.) Continua no próximo domingo

Edição EDIÇÃO 16956




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