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Sábado, 24 de Abril de 2010, 13h:20

FEDERAÇÃO ESPÍRITA

A histórica fundação da Sociedade de Paris

MANUSCRITO INÉDITO DE KARDEC A histórica fundação da Sociedade de Paris Enrique Eliseo Baldovino O primeiro Centro Espírita do mundo, fundado em 1º de abril de 1858, e dirigido pelo próprio Codificador, Sociedade que está completando o seu Sesquicentenário. A seguir traduzimos para o português a correspondência que faz alusão à Sociedade de Paris, onde destaca-se uma nova informação revelada pelo citado Manuscrito do Codificador, que grifamos com letra itálica e negrita: TRADUÇÃO AO PORTUGUÊS – «Ao Sr. Prefeito de Polícia da cidade de Paris. Sr. Prefeito: Os membros fundadores do Círculo Parisiense de Estudos Espíritas, que solicitaram junto a vós a autorização necessária para constituir-nos em Sociedade, temos a honra de pedir-vos que consintais permitir-nos reuniões preparatórias, enquanto esperamos a autorização regular. Com o mais profundo respeito, Sr. Prefeito, tenho a honra de ser vosso muito humilde e muito obediente servidor, H. L. D. Rivail, dito Allan Kardec. Rua dos Mártires nº 8.» (Tradução nossa.) COMENTÁRIOS – Note-se, então, o nome provisório – Cercle Parisienne des Études Spirites – que Kardec dá ao Círculo Espírita antes de constituir-se em Sociedade, Grupo que já se reunia todas as terças-feiras à Rua dos Mártires nº 8 – segundo andar, ao fundo do pátio –, residência particular de Rivail em Paris, e cujas reuniões ocorriam desde aproximadamente seis meses antes da fundação da Société Parisienne des Études Spirites, que aconteceu em 1º de abril de 1858. A partir da transformação do Cercle em Société, esta viria a ter um papel de grande relevância histórica e doutrinária no Movimento Espírita Nacional e Internacional, como sendo a primeira Sociedade Espírita constituída do mundo. Por isso concluímos que todo esse importante Movimento começou com o pioneiro Círculo Parisiense de Estudos Espíritas, núcleo de vanguarda, também coordenado pelo mestre de Lyon. Outra observação digna de nota é a importante e corajosa identificação que o eminente Professor Hippolyte-Léon-Denizard Rivail faz ao assinar a Carta com o seu ilustre sobrenome e com seu digno pseudônimo respectivamente (Rivail-Kardec), oferecendo certamente o seu aval de pessoa séria e respeitada ante a autoridade municipal (Prefeito de Polícia de Paris) e nacional (Ministro do Interior), especificamente para a abertura da Sociedade, na qual deveriam dispor por lei de uma autorização legal e oficial para o encontro de um maior número de pessoas das que se reuniam em um Círculo. CONTEXTO SOCIAL FRANCÊS DO SÉCULO XIX – Um revolucionário nacionalista italiano chamado Félix Orsini, perpetrou um atentado em 14 de Janeiro de 1858 contra a vida de Napoleão III que, por pouco, não foi assassinado, sendo Orsini condenado à pena de morte pela guilhotina em 13 de março de 1858, isto é, quase vinte dias antes da fundação da SPEE. Este episódio provocou a sanção da Lei de Segurança Geral, que facultava ao Ministro do Interior a transladar ou exilar a qualquer cidadão francês que fosse reconhecido culpado de conspirar contra a segurança do Estado. Era uma lei rigorosa, que não se derrogou senão doze anos depois, em 1870. Os tempos então vividos eram de convulsão política; França estava sob a recente lei de segurança de 19 de fevereiro de 1858, sancionada por aquele atentado, lei que não permitia a reunião de mais de 20 pessoas em espaço fechado. O estatuto social da SPEE devia ser submetido às autoridades sob este severo regime que, ante as novas idéias, colocariam sua atenção sobre o objeto e os nomes dos seus componentes. A respeito disto, deixemos continuar falando ao notável Codificador : “(...) Então, foi necessário obter uma autorização legal, para evitar problemas com as autoridades. O Sr. Dufaux, que conhecia pessoalmente ao Prefeito de Polícia, encarregou-se da petição. A autorização dependia também do Ministro do Interior, que era o general X, quem – sem que o soubéssemos – simpatizava com nossas idéias, sem conhecê-las completamente; graças à sua influência, a autorização pôde ser conseguida em quinze dias, que teria levado três meses se seguisse o trâmite usual. (...)” [Tradução nossa do original francês.] Eis a importância e o significado histórico desse inédito documento kardequiano. Nossas mais sinceras congratulações ao Instituto Canuto Abreu e ao CEI pela difusão aberta desta valiosa Carta, que permite compreender mais profundamente a rica História do Espiritismo – e do Movimento Espiritista – para esclarecimento integral das gerações atuais e futuras. Fonte: Verdade e Luz, edição nº 267, Abril de 2008 Federação Espírita do Estado de Mato Grosso – www.feemt.org.br

Edição EDIÇÃO 16962




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