Pessoas que vivenciam situações de extrema violência contraem transtornos psicológicos cujo tratamento demanda tempo, uso de medicamentos e amparo da família. Ontem, a funcionária de um hospital particular de Cuiabá, Neliana Ferreira Pacheco, de 32 anos, foi feita refém e permaneceu sob a mira de uma faca por três horas dentro de um supermercado. Depois de um processo de negociação mediado pela polícia, o autor do crime, Valdecir Gomes da Silva foi preso e será submetido a exames de sanidade mental. Neliana saiu do local em estado de choque. Para a psiquiatra Renée Elizabeth de Figueiredo Freire, pessoas reféns de criminosos entram em estado de desespero, por conta da liberação de uma grande quantidade de adrenalina. Enfartes, paradas cardíacas ou até um anestesiamento da consciência são reações comuns do corpo durante esses eventos. Ainda segundo Freire, de imediato, a vítima deve ser submetida a tratamentos com tranquilizantes que devem ser mantidos por meses a fio. Toda situação que remeta ao trauma pode levar a pessoa a passar por crises de estresse, explica a especialista. Choro e muita ansiedade ainda podem acontecer depois de quatro a seis meses levando a vítima a passar até por depressão. Nesse momento, o apoio da família é fundamental, avalia Freire. Neliana já passa bem e está em casa.