CIDADES
Sexta-feira, 13 de Abril de 2012, 22h:36
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DENGUE
Uso do fumacê está descartado
Apesar de a Grande Cuiabá viver uma epidemia, técnicos do Ministério da Saúde dizem que combate à dengue deve ser com visitas domiciliares
ALECY ALVES
Da Reportagem
Está descartada a possibilidade do uso do fumacê (a aplicação de inseticida com emprego de veículos motorizados) no combate ao Aedes Aegypti, mosquito transmissor da dengue, em Cuiabá e Várzea Grande. Apesar do reconhecimento do estado de epidemia nas duas cidades, e de mais uma morte por dengue confirmada ontem, cuja vítima é um morador do bairro Tijucal, os técnicos do Ministério da Saúde que estiveram aqui esta semana negaram os pedidos feitos pelos dois municípios. Ontem, durante encontro com técnicos da Secretaria de Saúde de Cuiabá, os representantes do Ministério entenderam que a borrifação de veneno não resolveria o problema e que outras medidas deveriam ser intensificadas. Na reunião que mantiveram com a coordenadora da Vigilância, Ivonete Fortunato, e a coordenadora do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), Alexandra da Costa Carvalho, os técnicos entenderam que as melhores medidas seriam intensificar as visitas domiciliares e fazer o bloqueio químico, ou seja, aplicar o produto nos ambientes com larvas e altos índices de infestação do mosquito. Além disso, também deve aumentar o emprego das bombas costais em borrifações localizadas, de acordo com os índices de infestação, e intensificar a retirada do chamado lixo da dengue em bolsões públicos. Cuiabá e Várzea Grande juntas já notificaram mais de 4 mil casos de dengue, mais da metade registrados nas últimas 5 semanas, conforme dados divulgados anteontem. No Estado, o número de casos da doença já passou dos 13 mil. De acordo com a coordenadora de Vigilância em Saúde e Epidemiologia de Várzea Grande, Maria Guimarães Eckart, há um entendimento de que, para cada caso notificado de dengue, haja entre 15 e 20 subnotificados, ou seja, que não chegaram ao conhecimento do serviço público de saúde por diversas razões: o paciente não fez o exame, não preencheu o procedimento de notificação ou se automedicou. Com a introdução do vírus tipo 4, identificado recentemente em Cuiabá e Várzea Grande, todas as pessoas estão suscetíveis à dengue. Portanto, tenha ou não contraído a doença, a população está à mercê do mosquito. Diante disso, a única saída é a prevenção, eliminando os criadouros do mosquito, diz Maria Eckart. Quem contraiu dengue pela segunda ou terceira vez, alertou ela, tem mais probabilidade de agravamento do quadro. Ivonete Fortunato reforça que quem nunca teve dengue pode desenvolver a forma mais leve da doença, mesmo contraindo o novo vírus. Entretanto, como ninguém está inume ao tipo 4, aqueles que já desenvolveram as outras três tipificações da dengue correm riscos de, se contraí-lo, ter até a dengue hemorrágica.