CIDADES
Sábado, 09 de Junho de 2012, 14h:12
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DIA DOS NAMORADOS
Um amor que valoriza a companhia
ALECY ALVES
Da Reportagem
Ele tem 65 anos e ela acaba de completar 62, mas parece que vivem uma paixão adolescente, com coração acelerado, suspiros profundos e uma vontade incontrolável, daquelas de contar as horas para ver e falar com a pessoa amada. Assim é o namoro da professora aposentada Maura Pereira Marques e o segurança, também aposentado, José de Oliveira Lourenço. Eles se conheceram em um salão de baile, desses que promovem eventos para a terceira idade. Maura, uma viúva que acabara de sair de um namoro no qual se sentia financeiramente explorada, conta que foi amor à primeira vista. Ela diz que entrou no salão com um sentimento de solidão e descrença, achando tudo sem graça e, repentinamente, avistou um homem que lhe servia. Foi assim mesmo, diz, que descreveu José para a amiga. Quando viu que uma mulher havia se recusado a dançar com ele, Maura decidiu se aproximar. Primeiro passou na frente dele esperando que a chamasse para dançar. Como isso não aconteceu, tomou coragem e puxou conversa questionando: você não quer dançar?. Começaram a dançar, mas logo tiveram de interromper a paquera por causa de um compromisso de Maura com a filha, em outro ponto da cidade. Marcaram um novo encontro para o dia seguinte, mas José diz que estava em um período de azar que chegou a duvidar que a reencontraria. Maura, para alegria de José, estava lá, em outro salão de baile, como haviam combinado. Desde então se passaram oito meses de uma paixão que cada dia cresce mais. Quando fico um dia sem vê-la ligo só para ouvir a voz dela dizendo oi, amor, declara-se José Lourenço. Ela tem a voz doce, uma conversa boa; quero ficar com ela para sempre, até morrer. Maura, que ouve atentamente as declarações de amor do namorado, diz que está vivendo um momento especial, no qual se sente amada. Diferente do namorado anterior, José Lourenço, diz, é uma pessoa simples e verdadeira. Ela conta que ele prefere recebê-la em casa, onde vive sozinho, a passar finais de semana na casa dela, onde Maura mora com uma filha. José Lourenço, também tem uma história de sofrimento. Há menos de uma ano encontrou a casa vazia quando retornou de um clube de sinuca onde jogava com os amigos. A mulher com quem vivia há 35 anos havia ido embora sem avisar. A tristeza que sentiu naquele dia, conta, deu lugar a um amor que, segundo ele, jamais pensou que viveria desde que começou a namorar Maura. Os dois dizem que o amor na terceira idade, ao contrário da adolescência, onde a explosão de hormônios sempre leva ao ato sexual, é mais de companhia, diversão e beijos na boca.