CIDADES
Sábado, 18 de Agosto de 2012, 13h:45
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NOVA CHANCE
Tribunal recebe 44 pedidos de anulação
Padre explica que falta de liberdade de uma das partes, de capacidade intectual ou psíquica podem justificar cancelamento do matrimônio
Laura Nabuco
Da Reportagem
Véu, grinalda, vestido branco e o sim em frente ao padre. Este é o sonho de boa parte dos casais que pensam em constituir família. A cerimônia só acontece, no entanto, uma vez na vida. Um problema para quem se separa e acaba se casando novamente. A menos que o Tribunal Interdiocesano - ou Eclesiástico - declare anulada a primeira união. Como na Justiça comum, o processo é lento. Em um ano de atuação em Cuiabá, o pleno composto por cinco membros só proferiu uma sentença, que ainda precisa ser analisada em segunda instância, em São Paulo. Outros 43 casos aguardam um desfecho. Para conseguir a anulação são necessários argumentos. Segundo o presidente do tribunal, o padre Luiz Izidoro Molento, três tipos de situação podem resultar na anulação: a falta de liberdade de uma das partes, de capacidade intelectual, ou de capacidade psíquica. São casos de pessoas que se sentiram obrigadas a casar, ou fizeram isto sem compreender o significado da união porque casaram muito cedo, ou ainda situações em que uma das partes não é capacitada psicologicamente para permanecer casado, explica. Em Mato Grosso, a maioria dos processos corresponde a casais que se uniram graças a uma gravidez indesejada. Para o padre Molento, as estatísticas revelam uma sociedade conservadora. Há alguns anos atrás a comunidade cuiabana era tradicional. Como boa parte dos casos é de pessoas que já estão separadas há muito tempo, 10 ou até 20 anos, muitos dizem que foram obrigados a casar por questão de honra, conta. Flávia Borges, 33 anos, é um exemplo. Grávida aos 17 anos, ela se casou por pressão da família. Acabou ficando nove anos junto com o ex-marido, de quem se separou em 2005. Seria uma boa. Não sei se sonho voltar a me casar na igreja, mas seria bom ter essa liberdade. A opção de poder fazer, se um dia eu achar que devo casar de novo, diz, revelando que não sabia da possibilidade de anulação. As mulheres representam justamente a maior parcela das pessoas que ingressam com processos junto ao Tribunal. Dos 44 casos em análise, 29 partiram delas, contra apenas 15 requeridos por homens. O padre Molento ressalta, contudo, que para desfazer o laço matrimonial é preciso mais do que a alegação de que o casamento não deu certo. Você não vai chegar aqui e dizer que o casamento foi mal feito, ou deu errado, e quer se casar de novo. Na verdade, você vai anular para se casar de fato. Porque é como se o primeiro não tivesse valido, explica. Divorciada há dois anos, Olga Haddad, que passou três anos casada, diz não ter aceitado a anulação exatamente por isso: não queria apagar a história que viveu. Não acho legal porque casamento é um só. Teve todo um planejamento, a festa, as pessoas. Anular seria como dizer que tudo aquilo não aconteceu. E eu vivi essas coisas. Ela conta que a ideia da anulação partiu do ex-marido, que queria casar-se na igreja novamente com a atual esposa. Ele acabou desistindo para respeitar o desejo dela. Ele entendeu o meu pedido e resolveu não entrar com o processo. LEIA TAMBÉM #LINK#415919#Faltam recursos humanos em MT #LINK#415920#Casamentos sem consumação valem