CIDADES
Quarta-feira, 05 de Setembro de 2012, 21h:52
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COCAÍNA
Traficantes usam 90% de MT como rota
Inspetor da PRF diz que não existe mais um corredor para o transporte. Até as regiões mais remotas registram movimentações
Laura Nabuco
Da Reportagem
Pelo menos 90% do território mato-grossense é utilizado como rota de tráfico de drogas. O Estado é apontado como uma das principais portas de entrada de entorpecentes importados da Bolívia e Peru. A afirmação é do comandante do Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Carlos Alberto Oliveira. Hoje até mesmo as regiões mais remotas do Estado são usadas pelos traficantes. Não existe um corredor que possa ser apontado como principal rota, diz Oliveira, que também aponta grande movimentação de drogas no Mato Grosso do Sul, Rondônia e Paraná. Apesar do Brasil também funcionar como passagem para os carregamentos de entorpecentes que seguem para a Europa e outros continentes, boa parte da quantidade que entra no país é consumida pelos próprios brasileiros. Divulgado ontem, o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) apontou o Brasil como o segundo maior consumidor de cocaína do mundo. Com 2,8 milhões de usuários, o país ficou atrás apenas dos Estados Unidos. O estudo levou em consideração o uso da cocaína em todas as formas: pó, crack, merla ou oxi. Ao todo, 4.607 pessoas maiores de 14 anos foram entrevistadas. Pelo menos 10% das que disseram usar a substância residiam na região Centro-Oeste. Entre as dificuldades que a PRF enfrenta na fiscalização do tráfico, estão a baixa quantidade de denúncias por meio do telefone 191 e a especialização das quadrilhas. A engenharia adotada por eles para esconder as drogas em fundos falsos de veículos tem evoluído muito, afirma o comandante. Oliveira explica que a fiscalização é feita basicamente nos 17 postos da PRF espalhados pelo Estado. Ele pondera, no entanto, que a quantidade de agentes na ronda ostensiva não é tão significativa para os resultados, uma vez que as maiores apreensões são realizadas por operações estratégicas. O comandante reconhece, contudo, que existem limitações. Entre elas está a necessidade de dividir o efetivo já escasso entre várias atribuições como a fiscalização de ocorrências de trânsito, crimes ambientais e roubos de veículos, por exemplo. Embora os casos de roubo de veículos quase sempre estejam ligadas ao tráfico, diz. As limitações são ainda mais sentidas quando há casos de trancamento de rodovias, como o que ocorreu nas BR-364 e BR-174, na semana passada, e é enfrentado na BR-158, na região do Alto Araguaia.