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CIDADES
Sábado, 25 de Outubro de 2014, 14h:10

CINE BANDEIRANTES

Tombado, prédio do extinto cinema é colocado à venda

ALECY ALVES
Da Reportagem
O prédio do extinto Cine Bandeirantes, tombado como patrimônio federal, está à venda. O anúncio na fachada chama a atenção de quem passa pela Rua Pedro Celestino, outrora “Rua de Cima”, centro da capital. Esta é a segunda vez que o prédio é vendido. Da primeira, há pouco mais de cinco anos, a transação ocorreu por meio de leilão, sendo adquirido pela Conenge Construtora. A intenção da empresa era instalar ali sua sede de projetos e administração, intento frustrado pela ausência de área para estacionamento próprio. E, principalmente, impossibilidade de grandes intervenções por se tratar de imóvel tombado como patrimônio histórico-cultural. Nessa região está esgotada a capacidade de vagas para parada em locais públicas. Fechado definitivamente há 13 anos, a reocupação do antigo cinema esbarra em um problema comum às grandes construções comerciais da área central de Cuiabá: a falta de estacionamento. Esse é o caso, por exemplo, do prédio do antigo Hotel Excelsior, na Avenida Getúlio Vargas, que tem anexo uma galeria com dezenas de apartamentos. No caso específico do Cine Bandeirante, onde a última sessão foi exibida em primeiro de fevereiro de 2001, para apenas seis espectadores, conforme reportagem publicada pelo Diário, os vizinhos, moradores e lojistas, torcem pela reabertura como espaço comercial. Com uma área de quase 1.500 metros quadrados, o prédio tem uma sala de projeção com capacidade para 800 pessoas, além de uma galeria com três lojas. A arquitetura imina um funil invertido, ou seja, tem a frente afunilada, com apenas 12,5 metros de largura, e vai se expandido até chegar a 77 metros no ponto final. De acordo com a Golden Negócios Imobiliários (Fone 3621-8000), responsável pela venda, o preço do imóvel está fixado em R$ 2,5 milhões. Quem adquirir o imóvel saberá que não poderá alterar a fachada e tampouco fazer intervenções que modifiquem demais a estrutura, como as paredes. Entretanto, redivisões internas, como criação de galeria de lojas, e restaurações são permitidas, desde que o projeto seja aprovado no Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan). Entre as décadas de 60, até o início dos anos 90, o Cine Bandeirantes exibiu produções cinematográficas nacionais e internacionais. Também recebeu shows de grandes cantores e peças teatrais que faziam sucesso nos grandes centros. A empresária Arilce Teixeira Monteiro mora há 47 anos numa casa que fica em frente ao antigo cinema. Foi no Bandeirantes, recorda ela, que assistiu aos clássicos da sétima arte “E o Vento Levou” e “Girassóis da Rússia”. “Dona Fia”, como é conhecida, conta que, nos finais de semana, a rua Pedro Celestino se transformava num dos principais espaços de lazer dos cuiabanos. Nas tardes e noites de domingo, diz, a fila de pessoas para comprar ingresso se estendia até o cruzamento com a rua Campo Grande. “Era uma rua alegre, movimentada”, recorda a empresária. Dona “Fia”, assim como dezenas de lojistas e os poucos moradores das proximidades, estão torcendo pela venda do prédio e instalação de galerias de lojas ou qualquer outra atividade possibilite mais movimente a rua.

Edição EDIÇÃO 16967




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