CIDADES
Terça-feira, 25 de Março de 2014, 20h:32
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R$ 4 MILHÕES
TJ anula venda de terreno ao Comper
Ao vender terreno para rede de supermercados de Cuiabá, Prefeitura não explicou de que forma os valores envolvidos seriam empregados
GUSTAVO NASCIMENTO
Da Reportagem
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ-MT) declarou ilegal a lei municipal que autorizou venda de terreno à rede de supermercados Comper. O TJ determinou que a Prefeitura Municipal de Cuiabá retomasse a área e devolvesse ao supermercado os R$ 4 milhões que haviam sido pagos pelo lote. A decisão partiu do juiz Rodrigo Curvo, da Vara Especializada do Meio Ambiente de Cuiabá (Vema). Segundo ele, a Lei Municipal nº 5.574/2012, que autorizou a venda do terreno no bairro Jardim Cuiabá, continha diversos vícios e por isto foi declarada nula. Conforme o magistrado, não foi realizado estudo técnico que nem a realização de consulta prévia popular. A prefeitura também não comprovou o interesse público na venda da área. Conforme Curvo, ao propor a lei, a Prefeitura apenas justificou genericamente a necessidade de investir os recursos adquiridos em Saúde, Educação e em obras do programa de pavimentação asfáltica Poeira Zero e a construção do Centro de Abastecimento de Cuiabá (Ceasa). Porém, não explicou de que forma as obras e os valores envolvidos seriam empregados. Na condição de gestor daquilo que não lhe pertence, deve o administrador público, antes de decidir, colher a maior quantidade de informações possíveis com vistas a fundamentar o seu ato, diz trecho da decisão. A lei foi enviada à Câmara Municipal, em agosto de 2012, pelo prefeito em exercício e procurador-geral do Município à época, Fernando Biral, que ocupava o cargo por conta da ausência do prefeito Francisco Galindo. A lei foi aprovada em tempo recorde, em menos de um dia. O magistrado também proibiu a venda ou transferência da escritura dos demais bens públicos desafetados pela lei. A lei também havia desafetado mais três terrenos, um no bairro Jardim Vitória, outro no Alvorada e no bairro Cidade Alta. As áreas não chegaram a ser vendidas por falta de interessados. Assim que a transação foi realizada, o Ministério Público do Estado (MPE) questionou a venda e conseguiu em decisão liminar que tornou o bem indisponível. A Prefeitura de Cuiabá informou por meio da assessoria que vai recorrer da decisão pelo fato de não ter previsão orçamentária para realizar a devolução. O Grupo Pereira, dono da rede de Supermercados Comper, informou por meio da assessoria que também irá recorrer.