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CIDADES
Sábado, 06 de Novembro de 2010, 12h:04

Tipo de usuários muda em 15 anos

Com 35 anos de experiência em reabilitação motora, o fisioterapeuta do Cridac, João Batista da Silva, tem muitas histórias curiosas sobre vítimas de acidente de moto. Silva, que começou na área com técnico em traumatologia, disse que há 15 anos a clientela da reabilitação era formada por trabalhadores da construção civil, vítimas de queda da própria altura, de acidentes de carro e jogadores de final de semana. Hoje, disse, não é exagero afirmar que 80% dos atendidos na traumatologia são acidentados de motos. Silva se recordou do caso de um rapaz que ele atendeu até o ano passado. Era um mototaxista de 26 anos, que sofreu dois acidentes graves de moto e passou longos períodos em processo de reabilitação. O rapaz, que insistiu em continuar na atividade, acabou morrendo em um acidente. “Eu o aconselhava, dizia que era perigoso, mas não teve jeito. Até estive no velório dele”, observou. Aos 42 anos, o vendedor Adão Vicente Pereira se livrou da moto no acidente que sofreu, o primeiro grave, e agora luta para recuperar os movimentos da perna direita, fraturada em quatro lugares. Ele disse que não gostaria de voltar a ser motoqueiro, mas não saber se cumprirá a promessa. Desde o acidente, um choque entre duas motos, Adão vive com um salário de R$ 510. Ele, que trabalhava como autônomo, tinha um salário médio de R$ 1,5 mil, mas pagava o valor mínimo estipulado pela Previdência. Motoqueiro há 10 anos, Adão se disse aliviado porque o acidente aconteceu no momento em que estava sozinho na moto. Ele havia acabado de deixar a filha Rebeca, de 4 anos, na casa da irmã, e a mulher, Gisélia, na faculdade. Adão perdeu as contas de quantas vezes caiu da moto sofrendo lesões leves. “A gente tem moto por necessidade, não porque gosta”, argumentou. Se dependesse de ônibus, além de gastar mais - no caso dele que visitava vários comércios num único dia -, reduziria sua capacidade de produção. (AA)

Edição EDIÇÃO 16967




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