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Terça-feira, 19 de Janeiro de 2010, 02h:20

‘PESADOS’

Terminal de distribuição

Setor de carga e distribuição da Capital, preocupado com nova lei que limita horário, cobra local da prefeitura

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem
Sancionada ontem pelo prefeito Wilson Santos, a Lei 205 de dezembro de 2009, que regulamenta a circulação de caminhões de carga e descarga em Cuiabá, já é alvo de críticas por parte dos caminhoneiros. “Antes de proibir, Cuiabá precisa de um centro ou terminal de distribuição dos produtos, o que não existe”, criticou o caminhoneiro Marcelo Magalhães da Silva, 35 anos. “No terminal seriam feitos os descarregamentos e os produtos colocados em caminhões menores, o que garantia o abastecimento dos supermercados e atacados no centro da cidade”, frisou. Pela nova legislação, que regulamenta a Lei 103 de dezembro de 2003, fica proibida na área central da cidade a circulação de veículos automotores com peso bruto total (PTB) entre quatro e 16 toneladas, com ou sem carga, das 6h às 20 horas, nos dias úteis, e, nos sábados, das 6h às 14 horas. Marcelo da Silva trabalha no ramo há 15 anos e dirige uma carreta com capacidade para 30 toneladas. Para ele, outro problema é a falta de rotas alternativas na cidade. “Daqui a pouco você não tem por onde trafegar e vai ter que deixar de trazer mais comida para Cuiabá”, disse. Para o motorista do ramo de transportes, a administração municipal poderia ter utilizado outra saída. “O trânsito da cidade realmente é péssimo, mas a prefeitura deveria pensar em implantar o rodízio, que iria diminuir em até 40% o movimento”, acrescentou. Caminhoneiro há 10 anos, Adão Lucas também disse acreditar que a medida irá prejudicar os profissionais do ramo. Para fazer a transferência de produtos alimentícios de um supermercado atacadista no Tijucal para outro no Porto, ele faz em média duas viagens por dia, já que o tempo de descarregamento é de aproximadamente três horas. O transporte, conforme ele, é feito em horário comercial. “Com a proibição seremos obrigados a ficar parados, perder tempo, trabalho e dinheiro”. Adão Lucas afirmou que não descarta a ideia de vender o seu caminhão, com capacidade para o transporte de 15 mil quilos, para adquirir outro menor. “Ou então fazer a descarga à noite, como acontece em São Paulo”, comentou. Por outro, Adão Lucas disse acreditar que a lei não é válida para avenidas como a Fernando Corrêa. “Pelo que sei é uma rodovia federal, então, a lei não vale para ela”, observou. A lei também proíbe a circulação de veículos automotores com PBT acima de 16 toneladas em qualquer dia e horário. Será permitida a circulação de veículos com PBT até 16 toneladas das 20h às 6 horas nos dias úteis e nos sábados, a partir das 14 horas. Na solenidade para assinatura da sanção, o prefeito Wilson Santos garantiu que as implicações de quem não cumprir a nova lei serão aplicadas. “Isto significa aplicar multas e usar o guincho para cumprir a lei municipal referente ao novo marco regulatório de carga e descarga”, disse. Conforme a prefeitura, cerca de 10 mil caminhões circulam hoje no trânsito da Capital, considerado um número problemático pelo prefeito, somando à frota da Capital, em torno de 200 mil veículos de passeio. “Portanto, é inviável conviver com uma realidade tão caótica. O Legislativo da Capital soube analisar esse projeto, que, após discutido, sofreu ajustes necessários”. A nova lei entra em vigor a partir de publicada na Gazeta Municipal. (Com assessoria)

Edição EDIÇÃO 16967




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