CIDADES
Sábado, 12 de Março de 2011, 13h:18
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PROTEÇÃO DO PLANETA
Tema da campanha da fraternidade é pujante em MT
ALECY ALVES
Da Reportagem
A 48ª Campanha da Fraternidade, aberta esta semana pela Igreja Católica, discute o aquecimento global, um dos assuntos mais atuais da humanidade, sobretudo em Mato Grosso, onde os problemas ambientais são exaustivamente noticiados. Sob o slogan Fraternidade e a Vida no Planeta, a Igreja traçou estratégias de debates para o período da Quaresma em seus templos, universidades, escolas, associações, clubes de serviços e outros setores. Nesses locais serão proferidas palestras e feitos debates para mostrar a relação entre o aquecimento e as atividades humanas. O desmatamento da Floresta Amazônica, por exemplo, é apontado pela Igreja como um escândalo e uma afronta à crise global do clima. As ameaças à biodiversidade, assim como de escassez de água potável, a miséria e a fome também aparecem na primeira parte da campanha, na fase do Ver. Nas outras três subdivisões da mobilização católica, identificadas como Julgar, Agir e Gesto Concreto, a Igreja tentará advertir a sociedade sobre as consequências da ação devastadora do homem e a voz e a visão de Deus sobre a destruição da natureza. Até o dia 17 de junho, Domingo de Ramos, as atenções da Igreja Católica estarão voltadas ao tema da Campanha da Fraternidade. Na luta pela instituição de novos hábitos na população, a Igreja exibirá gráficos sobre o aquecimento do clima da terra. No livro que traz o texto-base da campanha, editado pela Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e vendido ao custo de R$ 10, mostra a relação entre o aquecimento e as atividades humanas. Diz, por exemplo, como se chegou à tese que responsabiliza o homem pelo aumento da temperatura. Também aborda o agronegócio, a principal atividade produtiva de Mato Grosso. Os alimentos, recursos primários e absolutamente necessários à vida, atualmente são gerenciados num mercado denominado commodities, no qual o interesse é apenas lucro, critica a Igreja. Diante de quase meio século de denúncias e debates levantados pelas campanhas, quem participa ou mesmo acompanha à distância, pode está tentando identificar resultados práticos da ação e levanta indagações. Aonde a Igreja chegou ou quer chegar com isso? Não seria uma interferência política inócua da Igreja? Para aqueles que veem a Igreja Católica apenas como uma instituição de pregação do amor de Deus ou acham que padre não tem que denunciar aquilo que vê, como trabalho escravo, ou brigar pela reforma agrária, por exemplo, o arcebispo de Cuiabá, dom Milton Santos, tem alguns recados. Ele diz que se o padre vota, tem o direito, assim como todos os eleitores, de cobrar, discutir, criticar, denunciar e reivindicar. A fé, no entendimento da maior autoridade católica no Estado, não pode ser contra a política, e vice-versa. Dom Milton destaca que na divisão de atribuições a Igreja contempla pastorais que atendem à população em locais e serviços onde o poder público falha ou não consegue chegar. Além de debater problemas, a instituição, explica o arcebispo de Cuiabá, estimula entre os fiéis a doação financeira para ações voltadas aos mais pobres. O dinheiro, recolhido nas igrejas e depositados em bancos, vão para o Fundo Nacional da Solidariedade da CNBB. Parte dos recursos é gerenciada pela direção nacional e a outra fica no estado onde ocorreu a coleta para assistência local. Aqui, diz dom Milton, o dinheiro arrecadado com as campanhas ano a ano já serviu para construir casa, alimentar crianças em creches, atender migrantes, entre outros serviços.