A rede pública de saúde municipal de Cuiabá não tem um programa permanente para atender pessoas viciadas em cigarro que procuram deixar o vício. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, medicamentos para combater a dependência do cigarro são oferecidos apenas para quem está em tratamento de doenças respiratórias decorrentes da droga. O pneumologista Lucas Bello explica que em Cuiabá existe um ambulatório de tabagismo no Hospital Júlio Muller, mas, na prática, não oferece medicamentos. Ele também destaca que o tratamento de dependentes de cigarro deve sempre ser feito com medicamentos e terapia comportamental. Existem tratamentos que auxiliam na auto-estima, ajuda a reeducar os hábitos e trabalha com a questão da ansiedade. Isoladamente, o medicamento não apresenta eficácia total, frisa. Esses medicamentos, segundo o médico, substituem ou causam aversão à nicotina, principal componente químico do cigarro. Bello também explica que a pessoa que quer se livrar do vício deve procurar um pneumologista para uma avaliação completa do sistema respiratório. Nessa avaliação, são feitos exames, como a espirometria, que verifica o funcionamento e as alterações do estado do pulmão. TABAGISMO Um estudo realizado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) aponta que são registradas 200 mil mortes por ano decorrentes do tabagismo. De acordo com a pesquisa, entre pessoas de 15 anos ou mais, a prevalência de tabagismo variou de 12,9% a 25,2% nas cidades estudadas (15 capitais brasileiras e no Distrito Federal). Os homens apresentam prevalências mais elevadas do que as mulheres. Segundo o estudo, outro dado alarmante é o aumento do número de adolescentes que experimentam o fumo. O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. A OMS estima que um terço da população mundial adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas, seja fumantes. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam.