Até o momento a sindicância que investiga a suposta máfia da seca na Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) ainda não encontrou quaisquer provas sobre o esquema de favorecimento dos caminhões-pipas, segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Saneamento Ambiental de Cuiabá (Sintaesa), Ideueno Fernandes Souza. Se o esquema realmente acontecesse, a gente saberia quem seriam os responsáveis. Souza explicou que o período no qual a suposta máfia da seca estaria agindo já é historicamente caracterizado pela falta dágua em diversos pontos da cidade devido ao aumento expressivo do consumo da população (com banhos, lavagens de quintais, de carros, etc.) e diante do fato de que a capacidade de produção de água tratada é sempre a mesma. Além disso, segundo Souza, este ano os cuiabanos tiveram um dos períodos mais quentes já registrados, no qual a temperatura se aproximou de seu recorde cravado em 1940 (42º). Ele também apontou que as primeiras queixas e rumores sobre uma suposta máfia surgiram no bairro Terra Nova, região onde o consumo aumentou demais nos últimos anos pela concentração imobiliária. Sobre as denúncias de que os funcionários da Sanecap também estariam cobrando de moradores para não cortar o abastecimento de algumas casas (queixa que foi manifestada ontem durante a sindicância), o sindicalista comentou que a denúncia não tem cabimento. Ele explicou que a situação não caberia nem para o usuário adimplente nem para o inadimplente. Para o primeiro, porque seria o caso apenas de chamar a polícia diante de uma tentativa de extorsão. Para o segundo porque é muito mais fácil renegociar a dívida com a Sanecap, que divide em até 60 vezes, que pagar propina. Acho que ninguém cairia num negócio desses. A reportagem tentou comentar o assunto com o procurador da Sanecap, responsável por acompanhar a sindicância da máfia da seca, mas, sem sucesso.