CIDADES
Quarta-feira, 28 de Junho de 2006, 20h:03
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SANGUESSUGAS
Sigilos quebrados
Em sua primeira reunião, CPI aprova requerimentos para ter acesso a dados sigilosos dos principais acusados
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
A primeira reunião da CPI das Sanguessugas, realizada ontem pela manhã em Brasília, aprovou requerimentos para a quebra de sigilos telefônico, fiscal e bancário de cinco envolvidos no esquema de fraude na venda de ambulâncias. Entre os cerca de 30 requerimentos votados, a comissão também aprovou a convocação de acusados e convite de autoridades para colaborar com as investigações. A CPI foi instaurada para investigar o direcionamento de emendas parlamentares para a aquisição de ambulâncias por meio de licitações viciadas. Os dois primeiros convidados a prestar depoimento são o delegado federal Tardelli Boaventura e o procurador da República em Mato Grosso, Mário Lúcio Avelar. O convite é para terça-feira, dia 4 de julho. A CPI aprovou também a quebra do sigilo telefônico, fiscal e bancário dos últimos cinco anos de Darci Vedoin, Cléia Trevisan Vedoin (esposa de Darci), Alessandra Trevisan Vedoin (filha do empresário), Hellen Paula Sirineu Trevisan (nora de Darci) e da ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino. Os membros da CPI aprovaram os depoimentos do empresário Darci Vedoin e de seu filho, Luiz Antônio Trevisan Vedoin, de Maria da Penha Lino e de um dos advogados da empresa Planam, Luiz Aires Sirineu. Mas ainda não há data para estes depoimentos. Tardelli Boaventura e Mário Lúcio Avelar receberam o convite ainda na tarde de ontem. Até o fechamento da edição, não tinham decidido se iam ou não. Por serem convidados, os dois têm a prerrogativa de definir quando serão ouvidos. Os quatro suspeitos de envolvimento na Operação Sanguessuga, como serão convocados, no entanto, terão que ir no dia marcado pela comissão. Outro requerimento aprovado foi da quebra dos sigilos de duas das empresas de Darci Vedoin, Planam e Santa Maria. Os sigilos dos membros da família Trevisan Vedoin e de Maria da Penha tinham sido quebrados durante a fase de inquérito pela Polícia Federal. Ainda na reunião de ontem, a primeira oficial desde a criação da CPI, na semana passada, foi aprovado o depoimento do deputado Robson Tuma (PFL/SP), relator da Comissão de Sindicância da Câmara que iniciou os trabalhos de investigação sobre o envolvimento de funcionários e membros do Senado e Câmara, mas passou dias depois os trabalhos para a Procuradoria Geral da República. O deputado se colocou à disposição para falar sobre o cruzamento dos dados levantados durante a investigação, desde que fosse decidida a quebra de sigilo das informações. Logo na segunda semana após o início da Operação Sanguessuga, três membros da Comissão de Sindicância vieram a Mato Grosso ouvir os funcionários da Câmara dos Deputados que estava presos em Cuiabá. Na semana seguinte, o delegado federal coordenador das investigações, Tardelli Boaventura, e os principais suspeitos de envolvimento, como Maria da Penha e Darci Vedoin, foram até Brasília conversar com os integrantes da Comissão. Um grupo de participantes da CPI dos Sanguessugas esteve ontem à tarde reunido com o ministro do STF Gilmar Mendes, relator da principal reclamação da Operação e dos inquéritos dos parlamentares suspeitos de envolvimento, para buscar orientações de como proceder sobre as informações que estão sob sigilo de Justiça. A resposta definitiva do ministro só deverá ser passada na quinta-feira. O advogado da família Trevisan-Vedoin, Eduardo Mahon, foi a Brasília ontem à tarde e informou que informou ao presidente da CPI, deputado federal Antônio Carlos Biscaia (PT/RJ), que Darci Vedoin teve problemas de saúde no início da semana e foi submetido a um exame de cateterismo na terça-feira. Darci Vedoin está internado na UTI do hospital São Mateus desde segunda-feira. DEPOIMENTO O depoimento de Luiz Antônio Trevisan Vedoin, filho de Darci, foi adiado novamente para hoje de manhã. A Justiça Federal aprovou a interrupção do depoimento na segunda-feira, logo depois de receber a informação de que Darci teria sido internado. A audiência estava marcada para ontem, mas por ter outros compromissos institucionais, o juiz Jeferson Schneider remarcou para hoje, às nove horas.