CIDADES
Segunda-feira, 02 de Julho de 2007, 21h:03
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ESTACIONAMENTO
Shoppings mantêm 30 minutos gratuitos
Apesar de decisão judicial dar legitimidade para que minutos de carência não existam, estabelecimentos preferem manter clientes rápidos
ALINE CHAGAS
Da Reportagem
Apesar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso ter acatado o argumento de que é inconstitucional a lei municipal 4.838 de 2006, que prevê o intervalo gratuito de 30 minutos em estacionamentos de shoppings e outros estabelecimentos comerciais que cobram pelo serviço, os três shoppings de Cuiabá manterão um período sem cobrança para priorizar o cliente. A decisão do TJ é polêmica e deixou muitos clientes dos empreendimentos inconformados por terem que pagar mesmo que ocuparem a vaga por poucos minutos. O Pantanal Shopping, através de nota oficial, anunciou que manterá 20 minutos de gratuidade. Ainda na nota, a administração do shopping afirmou que eles entendem que a decisão do TJ deixa o livre arbítrio dos estabelecimentos sobre a manutenção do tempo de gratuidade. A ação que resultou na decisão do TJ foi movida pelo Pantanal. O superintendente Ilton Nóbrega explicou que a ação visou apenas resguardar os direitos constitucionais do empreendimento. O assessor jurídico do Shopping Três Américas, Jean José Clini, confirmou que a administradora do estabelecimento também manterá a gratuidade por 30 minutos. Segundo ele, é interesse do shopping manter o público que utiliza serviços mais rápidos, como lavanderias, por exemplo. Essa também é a opinião da diretoria do Goiabeiras Shopping, que argumentou estar o cliente sempre em primeiro lugar e, por isso, manterá a gratuidade de 30 minutos. A comerciante Roseli Bernardes fazia compras no Pantanal Shopping ontem pela manhã. Para ela, já é um absurdo os shoppings cobrarem pelo serviço de estacionamento. Se acabar a gratuidade, conforme ela, a população será mais penalizada ainda, porque muitas pessoas vão aos shoppings para serviços rápidos, como consertos e locação de filmes. A arquiteta Antônia Oliveira confessou estar preocupada com os pais que só entram nos shoppings para deixar os filhos em um local mais seguro, além de idosos, gestantes e portadores de necessidades especiais, como cadeirantes, que precisarem entrar usar serviços mais rápidos. Isso é um absurdo. Se vão cobrar como estacionamento particular, que façam coberturas para os carros e ofereçam serviços diferenciados para os clientes, argumentou a arquiteta. Já o arquiteto e urbanista Lauro Boa Sorte Carneiro defende que os shoppings não deveriam sequer cobrar os R$ 2,50 de estacionamento, porque o Estatuto da Cidade prevê que estacionamentos de grande porte devem oferecer vagas para veículos a clientes e, assim, evitar problemas de congestionamento do trânsito na região em que está localizado. Vagas de estacionamento é condição sine quanon (essencial) para se existir (o empreendimento). Ou seja, se ele não dispuser de vagas gratuitas para os clientes, não pode existir. Numa situação como essa, o alvará dessas empresas nem deveria ser renovado, comentou o arquiteto.